Um vereador da “Família Aro” vai presidir a comissão processante formada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) para analisar nova denúncia contra o vereador Lucas Ganem (MDB). Trata-se de José Ferreira, do Podemos.
A composição do colegiado foi definida por sorteio nesta terça-feira (14), após o plenário decidir, por 39 votos a zero, receber nova manifestação acusando o emedebista de fraude ao domicílio eleitoral.
Além de Ferreira, estarão na comissão Marilda Portela (PL), designada relatora, e Juninho Los Hermanos (Avante). Esse último é tido como aliado de Ganem.
José Ferreira é correligionário do presidente da CMBH, Juliano Lopes, que também compõe o grupo político liderado pelo ex-secretário Marcelo Aro (PP).
A “Família Aro” entrou em desavença política com Ganem no primeiro dia da atual legislatura, em 1º de janeiro de 2025. Isso porque o vereador, eleito pelo Podemos, contrariou orientação partidária e votou em Bruno Miranda (PDT) para presidente da Câmara Municipal.
Já Marilda Portela integra a ala do PL próxima ao prefeito Álvaro Damião (União Brasil). A relatora da comissão mantém distanciamento político do setor mais “radical” da bancada, composto, por exemplo, por Pablo Almeida e Vile Santos.
Juninho Los Hermanos, por sua vez, é um dos signatários da frente parlamentar integrada por Ganem na CMBH. Instaurado no ano passado, o grupo visa combater a proliferação de projetos de cunho ideológico no Legislativo municipal.
Assim que foram sorteados os três integrantes, José Ferreira e Juninho Los Hermanos entraram em contato via telefone com Marilda Portela, que acompanhava a sessão de forma remota. Após menos de cinco minutos de conversa, os três vereadores entraram em consenso quanto à distribuição das funções.
Caberá ao colegiado o prazo de 90 dias para que sejam realizadas as oitivas e para que seja concluído o relatório final. Ao final deste período, a matéria será levada ao plenário.
A expectativa na Câmara é que as ações da comissão sejam retomadas em ritmo acelerado. Na semana passada, a primeira denúncia contra Ganem foi arquivada pelo presidente Juliano Lopes. Após mais de sete meses de trabalho e diversas interrupções por liminares obtidas na Justiça, o caso não chegou a ser apreciado pelos vereadores.
Histórico
A segunda denúncia contra Ganem na sexta-feira (10) por Daniela Conceição Sousa. No mesmo dia, o presidente da Câmara arquivou o primeiro processo de cassação do emedebista, em decisão tomada após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) rejeitar recurso interposto pela Casa e manter vigente uma sentença ordenando a paralisação dos trâmites que poderiam culminar na perda de mandato.
Além da menção à suposta fraude ao domicílio eleitoral, a petição acusa Ganem de manter, em seu gabinete na Câmara de BH, servidores que, na verdade, estavam no estado de São Paulo.
Lucas Ganem chegou a ser indiciado pela Polícia Federal (PF) por causa da suposta fraude ao domicílio eleitoral. De acordo com a investigação, o imóvel declarado por ele no ato de registro de candidatura, situado no bairro Trevo, região da Pampulha, foi emprestado pelo empresário Grijalva de Carvalho Lage Duarte Júnior para que pudesse receber documentos e materiais de campanha.
Esposa do empresário, Fernanda Fraga Nogueira Duarte disse à PF que não conheceu Ganem durante a campanha eleitoral de 2024. Posteriormente, ela foi assessora parlamentar do vereador entre outubro do ano passado e janeiro deste ano.