O vereador Lucas Ganem (MDB) aposta que vai conseguir o apoio de colegas com quem atua em uma das frentes parlamentares da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) para escapar do processo de cassação aberto contra ele.
O grupo, criado no ano passado para combater projetos de lei considerados ideológicos, tem sete integrantes além de Ganem. Apesar da confiança do emedebista, O Fator apurou que os parlamentares da coalizão ainda não definiram como vão se posicionar. Eles vão decidir conjuntamente o rumo que tomarão no assunto.
Estão na frente parlamentar Arruda (Republicanos), Cleiton Xavier (União Brasil), Helinho da Farmácia e Maninho Félix, ambos do PSD, Juninho Los Hermanos (Avante), Loíde Gonçalves (MDB) e Marcela Trópia (Novo) para se manter na CMBH.
Para que um vereador seja cassado, são necessários ao menos 28 votos.
Representantes das chamadas bancadas ideológicas, com PT e Psol na esquerda e PL na direita, seguem adotando discurso de cautela. Os dois grupos só pretendem definir suas posições após a leitura do relatório final da comissão processante que analisa suposta fraude ao domicílio eleitoral por parte de Ganem.
Com a projeção de que o parecer do relator Edmar Branco (PCdoB) será levado ao plenário até o começo de julho, vereadores fazem contas e projeções de votos nos corredores da Câmara Municipal.
Sem comentários
A estratégia de Ganem de não se pronunciar durante depoimento à comissão nesta quarta-feira (17) foi avaliada como negativa pelos vereadores que integram o colegiado.
Sob reservas, parlamentares afirmaram a O Fator que Ganem deu mostras de seguir a orientação de seus advogados e, assim, omitir a sua versão sobre a acusação de fraude. Em depoimento anterior, ele chegou a admitir que se mudou para Belo Horizonte apenas após a vitória na eleição do ano retrasado.
Durante os 10 minutos de audiência, o vereador alvo do processo de cassação permaneceu em silêncio após ouvir as nove perguntas apresentadas por Branco.