Simões reconhece ‘impasse’ entre Aro e Viana, mas diz que segue à espera de União e PP

Federação que abriga ex-secretário de Estado de Governo passou a cogitá-lo como concorrente ao Executivo
Mateus Simões e Marcelo Aro
Governador quer Marcelo Aro como candidato ao Senado em sua chapa. Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), disse nesta sexta-feira (17) que segue à espera do apoio da federação formada por União Brasil e PP. A O Fator, ele evitou abordar o imbróglio entre o ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP) e o senador Carlos Viana, de quem é colega no PSD. 

Pré-candidato ao Senado, Aro se recusa a dividir o palanque com Viana, que almeja a reeleição, e passou a ser considerado por correligionários como potencial concorrente ao Executivo.

“Mantenho a posição sobre o compromisso do União-PP e aguardo a definição da coligação. Não cabe a mim comentar o impasse entre os dois candidatos, Aro e Viana”, afirmou.

A ideia da federação União-PP de ter Aro no páreo pelo Palácio Tiradentes foi levantada nessa quinta-feira (16), durante reunião de deputados federais da coalizão com os presidentes nacionais dos dois partidos, Antônio Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP). Além dos parlamentares que levaram o assunto para o debate, Rueda também é favorável a uma candidatura do ex-secretário a governador.

A hipótese de Aro mudar de rota causou diferentes interpretações. De um lado, interlocutores da coalizão entre União e PP avaliam que uma candidatura própria ao Executivo seria benéfica para os partidos. 

Adicionalmente, pontuam que o ex-secretário seria capaz de atrair os apoios de siglas que ainda não decidiram o que fazer, como o PL e o Republicanos, que esperam por uma definição do senador Cleitinho Azevedo — os liberais também têm Vittorio Medioli e Flávio Roscoe como opções.

Impasse com Viana

Por outro lado, entretanto, há a avaliação de que a alternativa contemplando uma candidatura de Aro ao cargo de governador serve, indiretamente, para pressionar o PSD a resolver a situação envolvendo Viana.

No início do mês, em entrevista ao jornal O Tempo, Aro chamou o pessedista de “decepção para Minas Gerais”.

“Não estarei junto com Viana. Não acredito na política do Viana. Acho que Viana foi uma decepção para Minas Gerais. O povo mineiro confiou — e eu votei em Viana em 2018”, criticou.

Em entrevista a O Fator em maio, Simões disse respeitar a articulação partidária que resultou no embarque de Viana, mas pontuou que, em relação ao Senado, seu único compromisso é com Aro.

“Houve uma construção nacional do PSD, que eu respeito. O partido tem direito de fazer isso, mas o meu compromisso, meu compromisso pessoal neste momento é com a federação União-PP. E eu quero fazer um registro sobre Carlos Viana. Gosto dele, admiro o trabalho dele, e se for candidato na minha chapa ao Senado, vai ser uma alegria para mim. Só não é um compromisso assumido por mim. Eu assumi dois compromissos: um com União-PP e um com o PL. Se o PL resolver seguir outro caminho, aí não fui eu que resolvi seguir outro caminho”, falou.

Outro lado

Aliados de Viana têm dito que a candidatura dele ao Senado é uma decisão partidária. A justificativa é de que a ideia de concorrer à reeleição tem o aval do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e será referendada na convenção.

Quando das declarações de Aro, o congressista afirmou que os pessedistas não ficariam “a reboque de qualquer pirraça partidária”.

Temos um projeto muito bem definido para o futuro de Minas Gerais, com governador e senador”, rebateu. 

Como O Fator mostrou na semana passada, interlocutores do PSD passaram a defender internamente que Viana tente se tornar deputado federal.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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