Pré-candidato do PP ao Senado Federal, o ex-secretário de Estado de Governo diz que a federação formada por seu partido e o União Brasil não apoiará a reeleição de Mateus Simões ao Executivo estadual caso o PSD mantenha a intenção de lançar Carlos Viana na corrida à Casa Alta do Congresso Nacional. Embora projete um desembarque caso o impasse não tenha final feliz para União e PP, Aro garante que não sabe o caminho que tomará se a aliança for rompida.
As declarações foram dadas em entrevista exibida na noite dessa quarta-feira (22) pela TV Plan, emissora de Poços de Caldas, no Sul de Minas. Durante a conversa, ele classificou a filiação de Viana ao PSD como “bizarra”. Segundo Aro, PP e União não ficaram satisfeitos com o movimento da sigla que abriga Simões e é nacionalmente presidida por Gilberto Kassab.
“Como o PSD vai ter a vaga de governo e de Senado? Um partido que é metade de PP e União. PP e União, que são dois partidos, vão ter uma vaga na chapa, e o PSD, que é metade de PP e União, vai ter duas vagas na chapa? Essa equação não fecha para PP e União. Hoje, a discussão que está sendo feita internamente é que o partido (a federação) não estará com o PSD se o PSD tiver candidato ao Senado Federal”, falou.
Na semana passada, correligionários de Aro passaram a defendê-lo como possível candidato ao governo mineiro. Como O Fator mostrou, além de deputados federais da federação, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, é simpático à hipótese.
Apesar do incentivo dos colegas de grupo, Aro evitou cravar o que fará em caso de saída da coligação pessedista.
“Eu ficaria em uma situação muito ruim, porque meu apoio é para Mateus. Acredito na candidatura do Mateus. Se PP e União decidirem que não vão ficar com o PSD, simplesmente não sei o que fazer mesmo. Aí, vai ser uma decisão partidária, que não vai ser minha, porque minha preferência, obviamente, é ficar com Mateus”, explicou.
Integrantes de União e PP avaliam que a entrada de Aro no páreo pelo Palácio Tiradentes seria benéfica para a federação e poderia, inclusive, atrair o apoio de legendas que ainda não bateram o martelo sobre os rumos que vão trilhar, como o Republicanos, que aguarda o senador Cleitinho Azevedo, e o PL.
Os liberais também esperam por Cleitinho, mas mantêm uma candidatura própria no radar por meio do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, ou do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
Por outro lado, há a avaliação de que o movimento aumenta a pressão sobre o PSD quanto à questão envolvendo Viana.
Viana se fia em deputados
Em que pese o embaraço político, Viana se ampara no apoio de deputados do PSD ao plano de concorrer à reeleição.
Embora dirigentes pessedistas avaliem reservadamente que uma composição contemplando Viana e Aro seria o desenho ideal para fortalecer o grupo de Simões, há o entendimento de que o senador possui o aval da maioria dos companheiros para permanecer na chapa.
Aliados do presidente da CPMI do INSS têm dito que a candidatura dele será referendada na convenção da sigla.
Convenção adiada
O impasse entre PSD, União e PP ganhou uma camada adicional nesta semana. A federação resolveu adiar, de 1° de agosto para o dia 3 do mesmo mês, sua convenção partidária.
A intenção é permitir que o encontro aconteça apenas depois dos eventos oficiais de outras agremiações — entre elas, a de Viana e Simões.