O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), disse nesta sexta-feira (17) que segue à espera do apoio da federação formada por União Brasil e PP. A O Fator, ele evitou abordar o imbróglio entre o ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP) e o senador Carlos Viana, de quem é colega no PSD.
Pré-candidato ao Senado, Aro se recusa a dividir o palanque com Viana, que almeja a reeleição, e passou a ser considerado por correligionários como potencial concorrente ao Executivo.
“Mantenho a posição sobre o compromisso do União-PP e aguardo a definição da coligação. Não cabe a mim comentar o impasse entre os dois candidatos, Aro e Viana”, afirmou.
A ideia da federação União-PP de ter Aro no páreo pelo Palácio Tiradentes foi levantada nessa quinta-feira (16), durante reunião de deputados federais da coalizão com os presidentes nacionais dos dois partidos, Antônio Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP). Além dos parlamentares que levaram o assunto para o debate, Rueda também é favorável a uma candidatura do ex-secretário a governador.
A hipótese de Aro mudar de rota causou diferentes interpretações. De um lado, interlocutores da coalizão entre União e PP avaliam que uma candidatura própria ao Executivo seria benéfica para os partidos.
Adicionalmente, pontuam que o ex-secretário seria capaz de atrair os apoios de siglas que ainda não decidiram o que fazer, como o PL e o Republicanos, que esperam por uma definição do senador Cleitinho Azevedo — os liberais também têm Vittorio Medioli e Flávio Roscoe como opções.
Impasse com Viana
Por outro lado, entretanto, há a avaliação de que a alternativa contemplando uma candidatura de Aro ao cargo de governador serve, indiretamente, para pressionar o PSD a resolver a situação envolvendo Viana.
No início do mês, em entrevista ao jornal O Tempo, Aro chamou o pessedista de “decepção para Minas Gerais”.
“Não estarei junto com Viana. Não acredito na política do Viana. Acho que Viana foi uma decepção para Minas Gerais. O povo mineiro confiou — e eu votei em Viana em 2018”, criticou.
Em entrevista a O Fator em maio, Simões disse respeitar a articulação partidária que resultou no embarque de Viana, mas pontuou que, em relação ao Senado, seu único compromisso é com Aro.
“Houve uma construção nacional do PSD, que eu respeito. O partido tem direito de fazer isso, mas o meu compromisso, meu compromisso pessoal neste momento é com a federação União-PP. E eu quero fazer um registro sobre Carlos Viana. Gosto dele, admiro o trabalho dele, e se for candidato na minha chapa ao Senado, vai ser uma alegria para mim. Só não é um compromisso assumido por mim. Eu assumi dois compromissos: um com União-PP e um com o PL. Se o PL resolver seguir outro caminho, aí não fui eu que resolvi seguir outro caminho”, falou.
Outro lado
Aliados de Viana têm dito que a candidatura dele ao Senado é uma decisão partidária. A justificativa é de que a ideia de concorrer à reeleição tem o aval do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e será referendada na convenção.
Quando das declarações de Aro, o congressista afirmou que os pessedistas não ficariam “a reboque de qualquer pirraça partidária”.
Temos um projeto muito bem definido para o futuro de Minas Gerais, com governador e senador”, rebateu.
Como O Fator mostrou na semana passada, interlocutores do PSD passaram a defender internamente que Viana tente se tornar deputado federal.