O PL entrou nas negociações para manter o arco de alianças da direita em Minas Gerais e trabalhar pela candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) ao governo do estado, diante da resistência do próprio Republicanos em confirmar seu nome.
A preocupação tem como pano de fundo principal garantir, no estado, um palanque competitivo e com chances de vitória para o candidato da sigla à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Para isso, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) entraram nas negociações para pressionar o Republicanos e, ao mesmo tempo, tentar que as duas siglas e a federação União Brasil-PP mantenham a aliança.
Segundo interlocutores, Nikolas, inclusive, pediu ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que intermediasse as negociações com o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP), para garantir Cleitinho como candidato.
Na quinta-feira (30), o senador se reuniu por cerca de quatro horas com a direção do sigla, em São José dos Campos (SP), mas o encontro terminou sem definição. Interlocutores próximos ao senador seguem otimistas quanto a uma reversão do veto, embora o partido não tenha dado retorno público após a conversa.
A possibilidade de o Republicanos aceitar a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas foi antecipada pela rádio Itatiaia e confirmada por O Fator. A expectativa é de que a definição ocorra até este sábado (1º).
Diante da indefinição de Cleitinho, arrastada por meses, o nome que ganhou força como alternativa foi o do ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP), cotado para disputar uma vaga ao Senado na chapa de reeleição do governador Mateus Simões (PSD).
O movimento rompeu sua relação com o grupo de Romeu Zema (Novo), que o havia abrigado no primeiro escalão estadual. E, sem a confirmação do senador, a tendência passou a ser o apoio de Republicanos e PL a Aro, com a justificativa de manter unida a direita e preservar o palanque de Flávio Bolsonaro no estado.
Esse grupo do PL, porém, prefere Cleitinho e trabalha em prol disso por razões eleitorais. O parlamentar lidera as pesquisas de intenção de voto, e a cúpula avalia que substituir o favorito por um nome em construção enfraqueceria o palanque presidencial no segundo maior colégio eleitoral do país.
Agora, se confirmado o nome do senador ao comando do estado, o desafio de manter União Brasil e PP no arco de alianças continua.
Retrospectiva
O Republicanos havia oficializado, na manhã de quarta-feira (29), a desistência de lançar o senador ao governo de Minas. O intuito era encerrar meses de adiamentos sucessivos de Cleitinho sobre a candidatura.
O senador havia condicionado a resposta ao fim da Copa do Mundo e, depois, transferido o prazo para agosto. O distanciamento de Cleitinho se acentuou após a morte do irmão, em 18 de julho, quando deixou de atender ligações e responder mensagens dos dirigentes.
Em nota, o partido divulgou um comunicado que responsabilizou Cleitinho pelo fracasso das tratativas e descartou sua candidatura ao Palácio Tiradentes. No texto, as executivas nacional e estadual afirmaram que “uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la” e que “tal decisão nunca aconteceu”.
O entorno de Cleitinho, contudo, afirmou, após a publicação do comunicado, que ele informou ao Republicanos, nos últimos dias, a intenção de disputar o Palácio Tiradentes. Em coletiva de imprensa na noite de quarta-feira, o senador disse que somente não seria candidato se o diretório nacional não quisesse.
Já a cúpula do partido sustenta que a relação já estava desgastada por críticas públicas do senador a Marcos Pereira e pela falta de respostas. Além disso, a indefinição travava as articulações para as candidaturas proporcionais.
A ofensiva da véspera
Como mostrou O Fator, o anúncio foi precedido por uma reunião em Brasília, na qual lideranças do PL e da federação formada por Progressistas (PP) e União Brasil cobraram uma definição sem novos adiamentos.
Participaram o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente do PL em Minas, deputado federal Zé Vitor, o deputado federal Domingos Sávio (PL), o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, e o ex-secretário de Estado Marcelo Aro.
Marcos Pereira acompanhou parte da conversa por telefone. Na ocasião, informou aos parlamentares que o assunto seria encerrado naquela quarta-feira. Com isso, o Republicanos passou a trabalhar com a ideia de apoiar a candidatura ao governo encabeçada por Aro, até então cotado para o Senado.
A legenda ficaria com a vaga de vice-governador e uma das duas vagas ao Senado. A outra vaga seguiria com Domingos Sávio, mas o PL não descartava ocupar a vice ou até mesmo condicionar o apoio à manutenção de apenas um nome na disputa pelo Senado.