STF inclui hospitais mineiros em ação contra resolução que restringe direitos de jovens trans

A intenção é que os equipamentos públicos de saúde forneçam estudos e dados para vistas da AGU e da PGR.
Bandeira trans
Diversas entidades integram ADI contra resolução do CFM que restringiu direitos da população trans. Foto: reprodução.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu os hospitais da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) e Eduardo de Menezes, em BH, na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.806. A ADI questiona uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que restringe direitos para a população trans jovem. O despacho é dessa quarta-feira (5).

Além dos hospitais mineiros, 29 equipamentos de saúde estão no despacho de Zanin. A intenção do ministro é provocar as unidades para apresentação de dados e estudos para vistas da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), com intuito de facilitar a tomada de decisão das autoridades.

A resolução 2.427/2025 do CFM “revisa os critérios éticos e técnicos para o atendimento” de pessoas trans. Pelo texto, entre outros pontos, fica proibida a prescrição de bloqueadores hormonais para crianças e adolescentes, com exceção para casos de puberdade precoce ou outras doenças endócrinas.

O texto também proíbe procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero para pessoas trans menores de 18 anos. Além disso, veda cirurgias com potencial esterilizador para menores de 21.

A resolução motivou a apresentação da ADI em questão pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) em abril de 2025, mesmo mês em que o CFM publicou as novas regras.

Desde então, diversas outras entidades da sociedade civil, partidos políticos e a Defensoria Pública do Estado de Goiás entraram como interessadas na ação. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) também foi arrolado. 

Minas tem como representante na ação o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos-MG).

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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