O Psol mineiro se ampara no fato de o partido ter maioria na cúpula nacional da federação com a Rede Sustentabilidade para reverter a decisão que levou a coalizão para a chapa de Alexandre Kalil (PDT) na disputa pelo governo do estado. A legenda apresentou recurso contra a deliberação e busca migrar para a coligação de Patrus Ananias, do PT.
A maioria pessolista em âmbito federal contrasta com o cenário estadual. Por aqui, a Rede é majoritária na federação e assim conseguiu aprovar, por 4 a 3, o embarque no grupo de Kalil.
O recurso do Psol mineiro já foi aprovado nacionalmente pelo partido. Agora, está apto para apreciação pela esfera nacional do bloco com a Rede. Independentemente do que for decidido na instância final, os partidos terão de caminhar juntos, conforme versa a regra da Justiça Eleitoral sobre a formação de federações.
Como O Fator mostrou, o Psol torce o nariz para uma composição com o PDT pelo fato de o vice de Kalil ser o ex-deputado Carlos Mosconi, do PSDB. Os tucanos não estão no arco de alianças considerados toleráveis pela sigla de esquerda.
Também há o entendimento de que a federação precisa estar em palanques locais associados à campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Kalil rechaça aliança com o Psol
O mal-estar já é do conhecimento de Kalil. Nesta terça-feira (11), por meio de sua assessoria de imprensa, o ex-prefeito de Belo Horizonte adotou posturas distintas ao comentar sobre a situação dos partidos da federação.
“Quero a Rede em minha campanha. Já o Psol não é bem-vindo”, sentenciou.
Os argumentos da Rede
Ao anunciar a decisão local pela composição com os pedetistas, a Rede afirmou que os colegas de bloco do Psol terão autonomia para pedir votos a Patrus Ananias de modo informal.
“Ao optar pelo apoio a Kalil, a federação considera sua capacidade de construir uma candidatura competitiva e dialogar com setores da esquerda e do centro democrático. A avaliação é de que Minas precisa reunir forças em torno de uma alternativa aos rumos adotados no estado nos últimos oito anos, com uma agenda que enfrente os desafios sociais, econômicos e ambientais e se contraponha às diferentes vertentes da extrema direita”, escreveu a sigla.
Em que pese a dissonância sobre a corrida ao Palácio Tiradentes, Psol e Rede possuem um ponto pacífico: a candidatura da ex-deputada federal pessolista Áurea Carolina ao Senado.