Justiça cita ‘negociações concretas’ com investidores e adia novamente a votação do plano de RJ da Backer

Sessão, marcada para esta terça (25), foi suspensa por 45 dias; cervejaria acumula mais de R$ 146 milhões em dívidas
Contaminação ocorreu em unidades da Belorizontina
Contaminação ocorreu em unidades da Belorizontina. Foto: Gustavo Andrade/Divulgação

A Justiça adiou, por 45 dias, a assembleia de credores da Cervejaria Três Lobos, dona da marca Backer. A sessão, agendada para esta terça-feira (25), havia sido programada com o objetivo de colocar em votação o plano de recuperação judicial da empresa, que acumula R$ 146,3 milhões em dívidas.

A dilação do prazo foi concedida nessa segunda-feira (24) pelo juiz Adilon Cláver de Resende, da 2ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte. 

É a segunda vez que a Três Lobos consegue postergar a assembleia — o primeiro adiamento aconteceu em julho. Em ambas as ocasiões, os advogados da companhia se ampararam em negociações com potenciais investidores para basear a solicitação. 

Desta vez, a companhia sinalizou que as tratativas “se revelam promissoras”, ao passo que o magistrado apontou a existência de documentos que “indicam negociações concretas” em prol da entrada de novos recursos.

Na nova petição encaminhada à Justiça, os representantes da cervejaria pontuam que os estudos sobre a viabilidade de eventual aporte na empresa já foram iniciados e têm previsão de durar entre 40 dias corridos e úteis. A votação do plano de recuperação antes da conclusão do exame, afirmam, tornaria o eventual aporte inviável porque “a fixação dos parâmetros de pagamento e a estabilização do passivo concursal são premissas indispensáveis à quantificação de riscos e à formulação segura de qualquer proposta de investimento”. 

O passivo da fabricante de bebidas ganhou corpo sobretudo a partir de 2020, por causa dos efeitos financeiros gerados pela contaminação por dietilenoglicol de unidades da cerveja Belorizontina. O incidente provocou a morte de 10 pessoas e deixou outros 16 consumidores com sequelas consideradas graves, como cegueira, comprometimento das funções renais e paralisia facial.

A dívida de R$ 146,3 milhões está dividida entre 448 credores cadastrados no processo de recuperação. A fatia majoritária do débito tem R$ 124,5 milhões referentes aos chamados passivos quirografários, relacionados a fornecedores e prestadores de serviços. O rol negativo conta ainda com R$ 15 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 6,7 milhões em aberto com microempresas e empresas de pequeno porte.

Os argumentos da Backer

Ao mencionar que as conversas com o potencial investidor são promissoras, a cervejaria alega que um hipotético acordo poderá “constituir ferramenta inconteste ao projeto de reestruturação proposto, além da manutenção das operações de indústria que emprega e movimenta relevante cadeia de fornecedores em Minas Gerais”. 

“Não se postula prazo aberto nem sucessivas suspensões, mas prazo único, determinado e justificado por fato concreto e superveniente, cuja fixação em 45 (quarenta e cinco) dias contempla a celeridade que informa o dispositivo, concebido para coibir o adiamento imotivado e indefinido dos trabalhos”, completa.

O que diz a decisão?

A Três Lobos teve a solicitação de recuperação judicial deferida em 2023. Na visão de Adilon Cláver de Resende, um possível desfecho positivo das conversas “poderá contribuir para a capitalização da recuperanda, para o incremento de sua capacidade produtiva e, consequentemente, para a própria viabilidade do plano de recuperação e satisfação dos credores”.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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