O candidato do MDB ao governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, apresentou à Justiça Eleitoral um relatório da Polícia Civil que detalha 14 registros de ocorrência — incluindo uma prisão em flagrante — envolvendo Ben Mendes, representante do Missão na disputa pelo Palácio Tiradentes.
O material consta em ação protocolada pelo emedebista na sexta-feira (4) solicitando que o oponente seja punido por injúria e difamação. A acusação decorre do fato de Mendes tê-lo chamado de propagador de fake news durante o debate da Rádio TMC, na quarta-feira (2)
Segundo a defesa de Gabriel, o histórico policial de Mendes tem quatro apurações por crimes contra a honra em cerca de sete anos. Assim, considera a banca, o ataque ao emedebista não configura “acidente”, mas “método”.
A prisão em flagrante citada pelo candidato do MDB ocorreu, conforme o relatório policial, em fevereiro de 2015, na cidade de Itambacuri, no Vale do Rio Doce. Mendes teria se apresentado indevidamente como advogado em uma delegacia. Então, foi detido por desacato, mas acabou solto no dia seguinte, mediante pagamento de fiança. Para evitar a continuidade do processo, firmou acordo de transação penal com restrição de direitos.
“Cuida-se de candidato ao mais alto cargo do Executivo estadual que, em debate público, arrogou-se a condição de árbitro da verdade e da honestidade alheias, quando ostenta um histórico de mais de vinte registros policiais e judiciais, com prisão em flagrante, indiciamentos e reiteradas apurações por crimes contra a honra. A circunstância revela, no mínimo, a absoluta ausência de qualquer justificativa moral para o ataque que dirigiu ao Noticiante”, lê-se em trecho da manifestação da defesa de Gabriel.
As ocorrências por difamação mencionadas na petição inicial aconteceram entre 2019 e o ano retrasado. O último registro do tipo remonta a dezembro de 2024, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Conforme os arquivos policiais, houve despacho de indiciamento sobre o caso em 9 de fevereiro deste ano. O mesmo inquérito, narra Gabriel, também trata de incitação ao crime, desobediência, intimidação sistemática, ameaça e injúria. Duas mulheres são apontadas como vítimas.
“A reiteração de condutas contra a honra de terceiros evidencia que as acusações de ‘fake news’ não foram fruto de mero desabafo ou de excesso verbal, mas de um modus operandi consolidado, o que corrobora o dolo com que o Noticiado agiu no debate de 02/09/2026”, prossegue o emedebista.
A representação lista ainda outros processos em curso entre 2025 e 2026. Na relação, estão inquéritos policiais, uma ação penal em fase de instrução e um termo circunstanciado por vias de fato, com fatos ocorridos, segundo os registros, às vésperas da atual campanha eleitoral.
Entenda o caso
Em um dos momentos em que acusou Gabriel de espalhar fake news, Mendes comentava sobre a ausência no debate da TV Horizonte, ocorrido no fim de agosto. O emedebista disse que a emissora convidou o rival. O postulante do Missão não desmentiu a informação, mas pontuou ter recebido o chamado cerca de 48 horas antes do encontro.
“Fake news não pode acontecer. Você, como um candidato ao governo, não pode induzir o público em erro. Eu não participei do último debate porque as condições que me foram oferecidas foram completamente diferentes das condições que foram oferecidas para você, Gabriel. Você faz parte do sistema, você é querido das emissoras. Enquanto você foi convidado mês antes para participar do debate, eu fui convidado 48 horas antes do debate”, queixou-se.
Durante a réplica, Gabriel rebateu. “O que eu afirmei é que o senhor foi convidado para o debate da TV Horizonte e o senhor não foi. Isso não é ‘eu acho’. É um fato”.
O embate prosseguiu durante um diálogo sobre o fato de o plano de governo de Mendes não estar disponível no sistema da Justiça Eleitoral até a data do evento da TMC. O representante do Missão voltou a acusar o rival de propagar fake news. No entanto, como O Fator mostrou, o documento só pôde ser consultado a partir do dia seguinte.
Procurada pela reportagem, a campanha de Ben Mendes voltou a acusar Gabriel de mentir.
“O candidato Gabriel Azevedo, por ter sido chamado no debate de ‘Gabriel Mentirinha’, faz jus à alcunha e publica uma imagem falsa, feita por inteligência artificial. Para além disso, me estranha o fato de um candidato tão irrelevante como eu, segundo o Gabriel Azevedo, desperta-lo na necessidade de gravar um vídeo de 27 minutos, tentando me descredibilizar”, contestou.