Justiça suspende TAC assinado entre governo de MG e Sigma Lithium

Juiz de 1ª instância acatou argumentos da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais
Produção de litio em MG
Complexo minerário da Sigma Lithium em Araçuaí. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

A Justiça Federal impediu o governo de Minas Gerais de elaborar parecer técnico e conceder novas licenças ambientais à Sigma Lithium voltadas ao complexo minerário da empresa em Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha.

Na prática, a decisão, de caráter liminar, suspende o Termo de Ajustamento e Conduta (TAC) assinado entre o governo estadual e a mineradora no final de agosto.

A decisão, fruto de um pedido da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (conhecida como N’Golo), foi assinada pelo juiz Antonio Lucio Tulio de Oliveira Barbosa, do Tribunal Região Federal da 6ª Região (TRF-6), na sexta-feira (4).

Nela, o magistrado determina a suspensão imediata dos efeitos de todas as licenças ambientais emitidas em benefício da mineradora e a paralisação total das atividades de lavra.

Além disso, determina que o governo de Minas Gerais se abstenha “de elaborar qualquer parecer técnico conclusivo e de conceder novas licenças ambientais (inclusive aditivos, ampliações ou licenças corretivas) voltadas ao complexo minerário Projeto Grota do Cirilo”.

A abstenção, segundo o juiz, deve valer até que a Sigma elabore e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aprove o Estudo do Componente Quilombola (ECQ), o Projeto Básico Ambiental Quilombola (PBAQ) e o Relatório de Execução Final (REF). A mineradora ainda precisará realizar Consulta Livre, Prévia, Informada (CLPI) com a Comunidade Quilombola do Baú, localizada em Araçuaí.

A ação em questão foi ajuizada pela N’Golo em maio deste ano, defendendo que as licenças da mineradora fossem anuladas até que a empresa organizasse uma CLPI junto à comunidade. Já em agosto, após a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) barrar as licenças de operação da Sigma, a federação pediu, na mesma ação, que a Justiça suspendesse as negociações em torno de um TAC.

O Fator entrou em contato com a Feam e a Sigma, questionando se a fundação e a mineradora pretendem recorrer da decisão. Até a publicação deste texto, no entanto, ainda não havia recebido retorno.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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