Interlocutores ligados à campanha de Cleitinho Azevedo (Republicanos) passaram a acompanhar com mais atenção o desempenho de Flávio Roscoe (PL) na disputa pelo governo de Minas Gerais. Na avaliação destes apoiadores do senador mineiro, o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiemg) tem apresentado crescimento em pesquisas internas e pode ampliar sua votação entre bolsonaristas na reta final.
A preocupação se apoia, sobretudo, em dois fatores. Roscoe terá o mesmo primeiro nome e o mesmo número de urna de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, coincidência que, na avaliação de aliados de Cleitinho, pode facilitar sua identificação junto ao eleitorado bolsonarista. Soma-se a isso a participação ativa na campanha do deputado federal Nikolas Ferreira, principal mobilizador da direita no estado.
Nos cenários discutidos por esses interlocutores, uma arrancada de Roscoe poderia ocorrer ao mesmo tempo em que Patrus Ananias (PT) estagnasse, com o próprio Cleitinho sendo um dos possíveis destinos de parte dos eleitores petistas.
Neste cenário, com uma redução da votação de Patrus, surgiria espaço espaço para que Roscoe chegasse ao 2° turno contra o senador.
A hipótese é levantada como um dos piores cenários para Cleitinho: um 2° turno contra o candidato do PL colocaria o senador em confronto direto com o bolsonarismo, segmento no qual Roscoe teria a estrutura partidária, a associação com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e o apoio de Nikolas. O contexto, avaliam, forçaria Cleitinho a buscar uma aproximação mais clara com o eleitorado lulista e com setores de centro-esquerda, sem perder a parcela de seus eleitores que rejeita o PT.