A crise que motivou pedido de renúncia de dirigente nacional do PDT

Conflito interno tem como principal razão o não cumprimento de promessas da executiva nacional quanto à divisão do fundo eleitoral
Sirley Soalheiro com microfone nas mãos
Sirley Soalheiro se sentiu exposta após cobranças internas quanto à divisão do fundo eleitoral. Foto: reprodução/Facebook.

A crise no PDT por conta da divisão do fundão eleitoral motivou, nos últimos dias, um pedido de renúncia da vice-presidente nacional da legenda, Sirley Soalheiro. O Fator apurou que o não cumprimento de promessas feitas pela executiva nacional, hoje capitaneada pelo ex-ministro Carlos Lupi, motivou a solicitação de afastamento de Sirley. 

Segundo fontes da legenda, que conversaram com a reportagem sob sigilo, houve promessa de que o partido repassaria mais recursos para o financiamento de campanhas em Minas Gerais. Parte desse dinheiro seguiria para o presidente pedetista no estado, o deputado federal Mário Heringer; e outra parcela seria dividida entre outros candidatos atualmente sem mandato, sob indicação do mesmo parlamentar.

No entanto, até o momento, Heringer recebeu menos do que o acordado com a executiva nacional. Outros candidatos sem mandato foram atendidos nos últimos dias, mas o desgaste causado por essa demora permanece. 

A situação fez a pressão contra Sirley Soalheiro crescer dentro da legenda. Houve acusações de que o problema seria causado por erro dela, como secretária-geral do PDT em Minas, função que acumula junto com a vice-presidência nacional do partido. 

Segundo fontes, a secretária-geral se sentiu vulnerável por uma promessa não cumprida por Carlos Lupi, o que motivou o pedido de renúncia. Interlocutores garantem que a crise entre o diretório estadual em Minas e a executiva nacional poderia ser ainda maior caso não se tratasse de período eleitoral.

Apesar do pedido de renúncia, aliados tentam convencer Sirley Soalheiro a permanecer no partido. Além dos cargos na executiva nacional e no diretório estadual, ela chefia a Ação da Mulher Trabalhista (AMT), braço pedetista dedicado ao protagonismo feminino.

A reportagem procurou Sirley Soalheiro para posicionamento, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.

Os valores

Até esta terça-feira (15), a executiva nacional do PDT repassou R$ 20,5 milhões para candidatos em Minas Gerais. No entanto, R$ 14 milhões seguiram somente para a campanha do ex-prefeito Alexandre Kalil, nome do partido para a disputa do governo de Minas.

Na sequência, aparecem Mário Heringer com R$ 1,5 milhão e Alex Amaral, presidente da Associação dos Servidores Municipais de Betim (Asmube), com R$ 700 mil. O vereador de Sete Lagoas (Central) Caio Valace e o ex-prefeito de Vieiras (Mata) Nei Chicareli receberam R$ 500 mil cada.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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