A campanha do policial penal Rômulo Lopes, candidato a deputado estadual pelo Democrata, tomou um rumo incomum. Formalmente inscrito na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), ele passou a usar as redes sociais para pedir votos para João Santos do Social (Avante), que concorre ao mesmo cargo.
Em consulta feita por O Fator no DivulgaCand, plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reúne receitas e despesas de campanha, a candidatura de Rômulo não registra contratação de pessoal, produção de material gráfico, publicidade ou qualquer outro gasto relacionado à campanha.
Procurado pela reportagem para explicar o apoio a um concorrente e ausência de atos em favor do próprio nome, Rômulo disse ter desistido da candidatura por ausência de verba.
“Decidi desistir da candidatura porque não recebi o fundo eleitoral destinado à campanha e, até o momento, não tive uma explicação clara sobre o motivo do não repasse. Diante disso, entendi que não teria condições de seguir com a campanha da forma planejada”, afirmou.
A decisão, no entanto, ainda não aparece formalizada perante a Justiça Eleitoral. Questionado se havia protocolado o pedido no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Rômulo respondeu já ter encaminhado a solicitação ao jurídico do Democrata, chamado por ele de “partido complicado”.
Embora alegue ter desistido da campanha, após ser questionado pela reportagem, Rômulo alterou a foto de seu perfil no Instagram. A imagem anterior, sem referência à candidatura, foi substituída por uma peça de campanha contendo seu número de urna e outras informações eleitorais.
A indefinição não se limita à Justiça Eleitoral. Como servidor público, Rômulo pode se afastar das funções para concorrer na eleição. A legislação assegura aos servidores candidatos o afastamento nos três meses anteriores à eleição, com manutenção integral dos vencimentos.
Liminar para voltar ao cargo
A situação funcional de Rômulo, aliás, já havia sido discutida no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Em novembro de 2025, ele obteve uma liminar para que o Governo de Minas regularizasse sua lotação e permitisse seu retorno ao trabalho como policial penal.
Segundo o processo, Rômulo teve licença para tratar de interesses particulares, período em que esteve fora do país, residindo no Canadá. A licença terminou em agosto de 2022, mas sua primeira apresentação ao Ceresp de Ipatinga ocorreu somente em julho de 2025, aproximadamente dois anos e 10 meses depois.
Como havia transcorrido um longo período desde a publicação de sua remoção para a unidade, em janeiro de 2023, não foi autorizado a reassumir imediatamente.
Alegando circunstâncias médicas e familiares para a demora de se reapresentar, a defesa de Rômulo conseguiu uma liminar, em novembro do ano passado, para que o governo de Minas Gerais regularizasse sua lotação e permitisse seu retorno ao trabalho como policial penal.