Copasa: Equatorial sinaliza intenção de rescindir acordo de acionistas com o governo de MG

Assembleia geral está marcada para a segunda-feira (28); em caso de rompimento, Executivo receberá R$ 50 milhões
Barramento da Copasa
Empresa terá mudanças em conselho a partir de setembro. Foto: Copasa/Divulgação

O Grupo Equatorial sinalizou, na noite desta sexta-feira (25), a intenção de romper o acordo de acionistas firmado com o governo de Minas Gerais por ocasião da compra de 30% da Companhia de Saneamento (Copasa). A rescisão acontecerá caso a assembleia geral de acionistas, marcada para a segunda-feira (28), aprove prerrogativas relacionadas à ação preferencial, a chamada golden share, detida pelo Executivo estadual.

O acordo de acionistas prevê a possibilidade de a assembleia permitir que o governo, amparado pela golden share, eleger em separado um membro do Conselho de Administração e um membro do Conselho Fiscal. 

“Nos termos da Correspondência, o Investidor informa que enviará ao Estado de MG nova notificação confirmando a aprovação das matérias pertinentes à AGE 28.09.2026 e acompanhada dos documentos pertinentes para a efetiva produção dos efeitos da Rescisão Antecipada. A Companhia manterá o mercado informado dos desdobramentos relevantes do assunto objeto deste Fato Relevante, incluindo a respeito da efetiva Rescisão Antecipada, após as confirmações pertinentes”, diz Copasa, em fato relevante encaminhado ao mercado para oficializar o aceno da investidora.

Firmado em junho, o acordo de acionistas vale até 2033 ou até o cumprimento integral das metas de universalização de saneamento previstas no ato de compra. À ocasião da celebração do trato, a Equatorial depositou R$ 50 milhões em uma conta de garantia (escrow) gerida pelo BTG Pactual. Será esse o valor recebido pelo Palácio Tiradentes caso a rescisão antecipada seja concretizada.

Em nota, Copasa afirmou que a possível rescisão do acordo de acionistas é uma “etapa formal de governança”. O trato, pontuou, possui caráter transitório.

“Esse contrato provisório cumpriu seu papel durante a transição e deixa de ser necessário a partir da aprovação do novo Estatuto Social e da eleição dos novos Conselhos de Administração e Fiscal na Assembleia Geral Extraordinária (AGE), convocada para o dia 28 de setembro. A medida confirma a consolidação definitiva da nova estrutura de governança da Companhia”, informou.

Relembre

A Equatorial adquiriu 30% da Copasa por meio de uma subsidiária, a Gerais Saneamento. A holding pagou R$ 5,59 bilhões pela fatia. O estado vendeu mais 15% de forma fracionada no mercado e, assim, levantou ao todo R$ 8,38 bilhões.

O poder público mantém 5% das ações da companhia.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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