Flávio Bolsonaro e Lula vão ao 2º turno da eleição para presidente

PT e PL repetem o confronto de 2022 depois de uma campanha em que os escândalos atingiram os dois lados
Na foto, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno das eleições para a Presidência da República. Fotos: Vittor Salles / Ricardo Stuckert / Campanhas / Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vão disputar o 2º turno da eleição para a Presidência da República. A condição de matematicamente eleitos foi confirmada neste domingo (4) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 98,62% das urnas apuradas.

As urnas repetiram o que as pesquisas mostravam, com oscilação pequena entre os dois candidatos. O primeiro turno teve campanhas apáticas, mas foi contaminado por fake news e pela interferência do Judiciário, até mesmo quando o assunto foi Nossa Senhora Aparecida.

Somam-se a isso as revelações da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro, além da investigação de fraudes no INSS, que atingiu o filho do presidente Lula. 

Nesse cenário, os dois polos travam, mais uma vez, a decisão presidencial. PT e PL reeditam o confronto de 2022, e quem tentou correr por fora ficou longe. A nova votação está marcada para 25 de outubro, também um domingo.

Dois projetos presos ao passado

A disputa opõe duas candidaturas que dependem de heranças. Aos 80 anos, Lula tenta mais quatro anos no Palácio do Planalto, no que seria o quarto mandato. O PT chega a 2026 sem ter construído um sucessor.

Flávio, por sua vez, concorre como herdeiro do espólio político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso e inelegível. No 2º turno, ele terá de conter o desgaste do caso Master e buscar o apoio dos demais nomes da direita.

Escândalos dos dois lados

A estabilidade das pesquisas tem uma explicação para as equipes de campanha. Os casos que dominaram o cenário político atingiram os dois candidatos, e nenhum conseguiu usar o tema da corrupção contra o outro sem ser cobrado pelo próprio telhado.

Flávio foi alcançado pelo caso Master. Segundo a PF, ele pediu R$ 131 milhões a Vorcaro para a produção de Dark Horse, filme sobre o pai, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos. 

A proximidade com o ex-banqueiro, registrada em mensagens e encontros, também foi explorada pelos adversários. Flávio negava envolvimento de Vorcaro com o filme até maio, quando o Intercept Brasil revelou as tratativas e ele admitiu ter pedido dinheiro. Nas mensagens, chegou a chamar o ex-banqueiro de “irmão”. 

Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito sobre o financiamento. O senador afirma que buscava patrocínio privado e nega irregularidades

Já a apuração sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no âmbito da operação Sem Desconto, levou a PF ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência. 

O caso também derrubou um dos auxiliares mais próximos de Lula. Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, deixou a chefia do gabinete pessoal do presidente em julho. Em agosto, saiu da campanha de reeleição depois de vir a público que recebeu R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e investigada pela PF. As defesas negam irregularidades.

Indecisos vão definir 2º turno

Sem vantagem nesse terreno e com os dois lados consolidados, a decisão vai ficar nas mãos de quem não escolheu nenhum deles. 

Em atualização

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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