O vice-governador eleito de Minas Gerais Luís Eduardo Falcão, do Republicanos, diz que a nova administração estadual vai dialogar com o Palácio do Planalto independente do vencedor da disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista exclusiva a O Fator na noite deste domingo (4), Falcão afirmou que ele e o parceiro de chapa, Cleitinho Azevedo, também do Republicanos, pretendem “deixar para trás uma agenda que só fala de dívidas”.
“O intuito é dar resultado à população. O que a gente precisa é levantar Minas Gerais, olhar para frente e deixar para trás essa agenda que só fala de dívidas e problemas. É claro que a dívida existe, mas a gente precisa caminhar rumo à solução dela, e não ficar reprisando a mesma situação há tantos anos. Vamos para uma agenda de resolutividade, buscar diálogo com o governo federal seja lá quem for o presidente e vamos buscar cada oportunidade que tiver em Minas para aumentar a receita do estado, atrair mais investimentos e aumentar a eficiência”, projetou.
A menção às dívidas está calcada no débito bilionário de Minas junto à União, que está em cerca de R$ 188,19 bilhões. Desde janeiro, o Executivo paga parcelas do passivo por meio do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), cujo cerne, baseado na federalização de ativos locais, foi criticado por parte dos postulantes ao Palácio Tiradentes.
Cleitinho teve a vitória confirmada pela Justiça Eleitoral por volta das 20h40. O governador eleito, que rompeu a barreira dos 55% de votos válidos, disputou com uma coligação que tinha, além do Republicanos, a participação do Podemos. Nomes do PL, como o senador eleito Domingos Sávio, embarcaram na campanha ao longo das semanas.
Conforme Falcão, ainda não há definição sobre o preenchimento dos postos de primeiro escalão no governo. Como O Fator mostrou, Cleitinho admite ouvir sugestões de nomes, por exemplo, do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo.
“Estou à disposição para contribuir em todas as áreas, porque gestão é isso. Estive como prefeito e você lidera, ali, todas as áreas, acompanha os indicadores, os dados, e verifica o que está ou não dando certo. Tenho muitas sugestões, mas quem vai decidir isso é o governador. Jamais colocaria situações como se a opinião dele não fosse a mais importante. Ele é quem vai decidir, mas a gente tem uma sintonia muito grande”, pontuou.
Miniperfil
Luís Eduardo Falcão se filiou ao Republicanos neste ano. Antes, passou por Podemos e Novo. Para concorrer a vice-governador, renunciou à Prefeitura de Patos de Minas, no Alto Paranaíba.
Embora tenha ponderado que a última palavra caberá a Cleitinho, salientou que o objetivo é manter participação ativa.
“Em vez de colocar um vice escondido, ele sempre fez questão de me colocar ao lado dele e sempre disse que serão dois governadores”, justificou.