O resultado das eleições deste ano para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa (ALMG) acendeu um sinal de alerta entre os vereadores de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Eleitos, em sua maioria, por uma lógica tradicional de atuação regionalizada, com apoio de lideranças comunitárias e vínculos com organizações da sociedade civil (OSCs), os parlamentares temem perder espaço em 2028 para candidatos impulsionados pelas redes sociais e pela identificação ideológica do eleitorado.
O assunto já é objeto de discussões nos bastidores da Câmara Municipal. Vereadores ouvidos por O Fator confirmaram que há, entre os parlamentares, uma preocupação com os efeitos que o resultado das urnas em 2026 poderá ter sobre a composição do Legislativo, nas eleições de 2028.
O principal exemplo citado é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Além de conquistar uma votação recorde, o parlamentar ajudou a impulsionar a eleição de candidatos associados à sua imagem e ao seu campo político.
Segundo um vereador ouvido sob reserva pela reportagem, em uma reunião recente, parlamentares chegaram a cogitar que, se quisesse, Nikolas conseguiria eleger um vereador em cada uma das oito regionais de Contagem, tamanha a popularidade que conquistou nas redes sociais e a capacidade de transferência de votos.
O deputado federal Junio Amaral (PL) também é mencionado nessas conversas. Sua esposa, Marília Amaral (PL), foi eleita deputada estadual em uma campanha que apostou nas redes sociais, com a publicação de vídeos nos quais aparece debatendo com eleitores nas principais avenidas comerciais da cidade.
Descendo do muro
O receio dos vereadores de Contagem não se limita à influência digital. Outro fator apontado pelos parlamentares é o peso crescente da identificação ideológica na escolha dos candidatos.
Nesse contexto, além de Nikolas, os vereadores citam o desempenho eleitoral de Ana Elisa, do PT, como exemplo da capacidade de mobilização de eleitores em torno de candidaturas associadas a campos políticos bem definidos.
A avaliação é de que a polarização entre direita e esquerda, mais evidente nas disputas presidenciais, pode ganhar força também nas eleições para vereador, reduzindo o espaço de candidaturas cuja principal base eleitoral está nas relações políticas locais.
Alguns dos parlamentares que conversaram com O Fator chegam a projetar que PT e PL poderão conquistar, juntos, até dois terços das 25 cadeiras da Câmara Municipal em 2028.