Cassados, Ganem e Leonardo Ângelo recebem ‘ordem de despejo’ da Câmara de BH

Suplentes foram convocados para cerimônia de posse nesta sexta-feira (6), no plenário da Casa
ângeo e ganem
Os dois parlamentares tiveram a cassação de seus mandatos decidida em segunda instância. Foto: Rafaella Ribeiro/CMBH

Cassados em segunda instância, os vereadores de Belo Horizonte Lucas Ganem (MDB) e Leonardo Ângelo (Cidadania) foram comunicados pela Câmara Municipal (CMBH) de que os servidores comissionados de seus gabinetes serão exonerados nesta quinta-feira (5).

A medida faz parte dos trâmites para dar posse aos suplentes deles, Rubão (Podemos) e Reinaldinho (PSDB), respectivamente.

“O procedimento encontra fundamento no Estatuto dos Servidores da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), que prevê a exoneração automática em decorrência do afastamento definitivo do titular do gabinete parlamentar do exercício da vereança”, lê-se em um trecho do documento encaminhado a Ganem e a Ângelo nessa quarta-feira (4) pela Seção de Registros Funcionais do Legislativo municipal.

Conforme antecipou O Fator, as convocações de Rubão e Reinaldinho foram publicadas nesta quinta no Diário Oficial do Município. A cerimônia de ambos será realizada na tarde desta sexta-feira (6), no plenário da CMBH.

Made in SP

Ao registrar sua candidatura, Ganem informou à Justiça Eleitoral que morava em um imóvel no Trevo, bairro da Pampulha. Em depoimento à Polícia Federal (PF), o dono da residência, Grijalva Duarte, disse ter emprestado o endereço apenas para o recebimento de correspondências.

Em maio deste ano, o vereador admitiu, durante os trabalhos da primeira comissão processante, que se mudou para Belo Horizonte mais de um mês após se eleger vereador.

A defesa de Ganem invocou o conceito de “domicílio eleitoral amplo”, alegando que o endereço não é o único elemento capaz de demonstrar vínculo com uma comunidade. Segundo eles, seria preciso analisar conexões políticas e sociais.

Contratos com outra chapa

No caso de Leonardo Ângelo, a Justiça Eleitoral confirmou a identificação de uma estrutura de campanha paralela financiada pela candidatura de Mauro Tramonte (Republicanos) a prefeito, que teria atuado de forma decisiva a seu favor.

Segundo a decisão, a engrenagem contou com pelo menos sete coordenadores regionais e mais de 200 apoiadores.

Os coordenadores de campanha confirmaram em juízo que receberam valores de R$ 9 mil pela campanha majoritária para promover a candidatura do vereador. Uma das testemunhas relatou que a justificativa apresentada foi de que a disputa pelo Executivo municipal já estaria “garantida” no 2° turno.

Mensagens de WhatsApp juntadas ao processo mostram o próprio Leonardo Ângelo afirmando a um coordenador que “o Mauro vai bancar um número interessante de lideranças para nós”. As provas digitais foram validadas por atas notariais e confirmadas pelos depoimentos testemunhais.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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