A Câmara Municipal de Belo Horizonte vai convocar, para esta sexta-feira (6), a cerimônia de posse de Reinaldo Oliveira Batista, o Reinaldinho (PSDB), e Rubem de Oliveira Rodrigues, o Rubão (Podemos).
Segundo apurou O Fator, o ato de convocação será publicado ainda nesta quarta-feira (4).
Reinaldinho e Rubão foram diplomados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) na semana passada, após a conclusão dos processos de cassação de Leonardo Ângelo (Cidadania) e Lucas Ganem (MDB).
Os votos obtidos por Ângelo e Ganem foram descartados pela Justiça Eleitoral, que precisou retotalizar os resultados de todas as chapas que concorreram na eleição de 2024. O procedimento não modificou a distribuição das vagas. A cadeira do Podemos ficou com Rubão, na condição de primeiro suplente, enquanto o assento da federação PSDB-Cidadania foi para Reinaldinho.
Aliados
As chegadas de Reinaldinho e Rubão também não mexem na divisão da CMBH quanto à postura diante da administração do prefeito Álvaro Damião (União Brasil): saem dois parlamentares da base aliada e entram dois que também possuem boa relação com o Executivo municipal.
Desde setembro do ano passado, Reinaldinho comanda a subsecretaria de Gestão Descentralizada da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Interlocutores do Executivo afirmaram à reportagem que o tucano terá papel de destaque nas articulações entre a administração municipal e os vereadores.
Já Rubão, secretário municipal de Esportes e Lazer entre 2025 e 2026, integra a Família Aro, grupo liderado pelo ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP). Desde que tomou posse definitivamente como prefeito, em abril do ano passado, Damião tem contado com o apoio dos parlamentares ligados a Aro para manter maioria nas principais votações na CMBH.
Made in SP
Ao registrar sua candidatura, Ganem informou à Justiça Eleitoral que morava em um imóvel no Trevo, bairro da Pampulha. Em depoimento à Polícia Federal (PF), o dono da residência, Grijalva Duarte, disse ter emprestado o endereço apenas para o recebimento de correspondências.
Em maio deste ano, o vereador admitiu, durante os trabalhos da primeira comissão processante, que se mudou para Belo Horizonte mais de um mês após se eleger vereador.
A defesa de Ganem invocou o conceito de “domicílio eleitoral amplo”, alegando que o endereço não é o único elemento capaz de demonstrar vínculo com uma comunidade. Segundo eles, seria preciso analisar conexões políticas e sociais.
Contratos com outra chapa
No caso de Leonardo Ângelo, a Justiça Eleitoral confirmou a identificação de uma estrutura de campanha paralela financiada pela candidatura de Mauro Tramonte (Republicanos) a prefeito, que teria atuado de forma decisiva a seu favor.
Segundo a decisão, a engrenagem contou com pelo menos sete coordenadores regionais e mais de 200 apoiadores.
Os coordenadores de campanha confirmaram em juízo que receberam valores de R$ 9 mil pela campanha majoritária para promover a candidatura do vereador. Uma das testemunhas relatou que a justificativa apresentada foi de que a disputa pelo Executivo municipal já estaria “garantida” no 2° turno.
Mensagens de WhatsApp juntadas ao processo mostram o próprio Leonardo Ângelo afirmando a um coordenador que “o Mauro vai bancar um número interessante de lideranças para nós”. As provas digitais foram validadas por atas notariais e confirmadas pelos depoimentos testemunhais.