Nióbio fica na última categoria de prioridade dos minerais críticos, e CBMM não precisará pedir permissão ao governo para assinar contratos

Mineradora dos Moreira Salles, que opera em Minas Gerais, temia que negócios fossem comprometidos por decisões políticas
Vista aérea de empreendimento de Codemig e CBMM em Araxá
Codemig e CBMM atuam em sociedade na exploração do nióbio de Araxá. Foto: CBMM/Divulgação

O governo federal colocou o nióbio na última categoria de prioridade da lista de 27 minerais críticos e estratégicos definidos pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). Na prática, a decisão faz com que a CBMM, maior produtora de nióbio do mundo, não tenha que submeter seus contratos ao colegiado.

Trata-se de uma vitória para a mineradora da família Moreira Salles, que temia que seus contratos fossem alvo de interferência política. Como o nióbio é matéria-prima de aços resistentes, a CBMM é fornecedora da indústria militar e tem contratos inclusive com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Em entrevista ao Flow Podcast dias antes do 1º turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a sinalizar que o governo federal poderia aplicar restrições à comercialização de nióbio com os EUA, a depender de ações do governo de Donald Trump. 

O nióbio foi colocado pelo Planalto na categoria 3 da relação de minerais críticos. Assim, será considerado pelo CIMCE como de “baixa prioridade de fomento”. 

Ao mercado deste mineral, aponta material divulgado pelo governo nesta quinta-feira (5), será exigido que passe pelo colegiado apenas eventuais mudanças no controle acionário das empresas produtoras.

Além do nióbio, fazem parte desse rol outros nove minerais, incluindo ferro e ouro. 

A CBMM opera um complexo minerário em Araxá, no Alto Paranaíba, onde produz ferronióbio, nióbio metálico e óxido de nióbio. Metade das jazidas atualmente exploradas pela CBMM pertencem à Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).

Nióbio é estratégico para outros países

Com produção altamente concentrada no Brasil, o nióbio é considerado um mineral estratégico por Estados Unidos, China e União Europeia. A Casa Branca, aliás, chegou a incluir o mineral numa lista das 10 substâncias minerais mais críticas em fornecimento. 

O Brasil, de acordo com o Serviço Geológico americano, é dono de 67% das reservas mundiais de nióbio e de 93% da produção mundial do mineral. 

A CBMM, por sua vez, domina o mercado, tendo capacidade de produzir até 150 mil toneladas de nióbio por ano – acima, inclusive, da produção mundial anual, que foi de 112 mil toneladas no ano passado, de acordo com o norte-governo americano. 

As demais líderes do mercado estão muito atrás da CBMM em nível de produção. A chinesa CMOC, que opera na cidade de Catalão (GO), produz por ano cerca de 10 mil toneladas de nióbio, assim como a Magris Performance Materials, que opera no Canadá. 

A China é hoje destino de 50% das vendas brasileiras de ferronióbio, principal produto deste mercado. O país asiático comprou US$ 1,3 bilhão do Brasil no ano passado. No mesmo ano, os EUA adquiriram US$ 214 milhões.

O Fator procurou a CBMM para obter comentário a respeito da classificação do governo federal. O espaço segue aberto para manifestação.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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