Escritório de atingidos de Mariana vai procurar Cleitinho para discutir participação do governo em ação em Londres

Advogado Elias Souto diz que repactuação pode impedir entrada do estado no processo; audiência para quantificar danos será em 2027
Bombeiro faz buscas após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015
A barragem de Fundão, em Mariana, rompeu em 5 de novembro de 2015. A estrutura era operada pela Samarco, uma joint venture entre Vale e BHP. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O escritório internacional que atua na defesa de vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, deve procurar nos próximos meses o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos). O objetivo é discutir uma possível participação do estado na ação contra a mineradora BHP na Justiça inglesa. 

A informação é do advogado Elias Souto, colaborador do Pogust Goodhead, banca atualmente responsável pelo caso, e Diretor Institucional da OAB-MG. 

“Se ele (Cleitnho) estiver aberto, o escritório deve fazer essa abordagem com eles nos próximos meses, entender também a postura deles, saber quais são as possibilidades jurídicas de, eventualmente, a participação do estado de Minas (na ação inglesa)”, disse Souto, a O Fator, nesta quinta-feira (5), que marca os 11 anos da tragédia.

O advogado conversou com a reportagem durante a 19ª Conferência Mineira da Advocacia, promovida pela seccional estadual da OAB em Poços de Caldas, na Região Sul.

O governo de Minas já foi chamado a integrar a ação na Inglaterra, mas decidiu não participar.

“Atualmente, na ação inglesa não tem muito o que se fazer, a não ser que Cleitinho queira mudar essa postura”, acrescentou.

O Executivo estadual participou do acordo de repactuação firmado no Brasil em 2024. Para Souto, esse acordo pode impedir a entrada de Minas no processo. 

“Se o estado de Minas efetivamente também deu quitação, como alguns municípios agora que aderiram à repactuação acabaram por receber valores para dar quitação, ele possivelmente não poderá participar. Mas é uma pauta aberta que a gente pode, sim, explorar”, explicou.

Em fevereiro, a Justiça inglesa determinou que atingidos que receberam indenização no Brasil deixem o processo em Londres.

Quantificação dos danos

O Tribunal Superior de Londres reconheceu em novembro de 2025 a responsabilidade da BHP pelo rompimento. A barragem pertencia à Samarco, controlada pela Vale e pela BHP. Segundo Souto, o processo está agora na segunda fase, de apuração dos danos.

“Nesse momento, são 40 clientes que estão sendo ouvidos. Aliás, estão sendo produzidas provas para a audiência que se inicia em abril do ano que vem”, disse. 

O desastre de Mariana deixou 19 mortos, além de danos socioambientais ainda incalculáveis.

O Fator na Conferência Mineira da Advocacia

Entre esta quinta-feira e a sexta-feira, O Fator publicará, em seu site, uma série de matérias relacionadas à Conferência Mineira da Advocacia. O veículo instalou um estúdio no centro de convenções que abriga o evento e fará entrevistas com autoridades do mundo jurídico. As conversas poderão ser vistas na íntegra no YouTube.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

Jornalista, professora e assessora. Mestre em Interações Midiáticas e especialista em História e Culturas Políticas, Direitos Humanos e Cidadania Global. Foi apresentadora do Bom Dia Minas, na TV Globo, e do Jornal Band Minas. Como jornalista investigativa independente, publicou reportagens em veículos como Folha de S.Paulo, National Geographic, CartaCapital, Agência Pública e UOL.

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