O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha esteve nesta terça-feira (23) em Uberaba, no Triângulo Mineiro, para uma audiência de instrução e julgamento em que aparece no papel de vítima. Ele move uma queixa-crime contra o ex-deputado federal Franco Cartafina e o vereador Caio Godoi por causa de um vídeo publicado nas redes sociais em março. O conteúdo, segundo ele, passou dos limites da crítica política e entrou no terreno de calúnia, difamação e injúria.
No processo, Cunha se apresenta como empresário e comunicador, hoje radicado em Uberaba, onde montou uma rádio de perfil evangélico e diz estar se preparando para disputar novamente uma cadeira de deputado federal por Minas Gerais.
O ponto de partida da ação é um vídeo divulgado em 3 de março, com imagens e reportagens antigas sobre Cunha, amarradas a comentários que, na versão dele, foram feitos para desgastar sua imagem justamente no momento em que volta a testar o ambiente político mineiro.
Na audiência desta terça, Cunha falou primeiro, na condição de vítima. Na sequência, foi a vez de Franco Cartafina e de Caio Godoi, ouvidos como supostos autores do vídeo e das postagens. Não houve testemunhas nessa etapa: o foco ficou restrito às versões dos três. Terminada a parte dos depoimentos, a defesa de Cartafina e Godoi formalizou a contestação – é a resposta deles à investida judicial de Cunha.
Um ponto que Cunha faz questão de registrar na ação: ele lembra que respondeu a processos na Lava Jato, mas ressalta que essas ações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele usou esse argumento para se apresentar como primário e para dizer que a insistência em associá-lo àquele passado, sem mencionar as decisões do STF, seria mais um elemento de desgaste na praça de Uberaba e, por extensão, no colégio eleitoral mineiro.
No pedido inicial, a defesa de Cunha também abre uma porta para acordo: propõe uma composição civil no valor de R$ 50 mil pelos danos que ele diz ter sofrido.