A corrida contra o tempo do governo de Minas para renegociar dívida da Cohab

Estado diz que, sem renegociação do passivo, poderá ter de arcar com valores, referentes a financiamentos com recursos do FGTS
Imóveis da Cohab
Estatal habitacional opera no vermelho e acumula prejuízos. Foto: Clarissa Barçante/ALMG

O governo de Minas Gerais tenta concluir, até o fim do ano, a renegociação de uma dívida milionária da Companhia de Habitação do Estado (Cohab Minas) referente a financiamentos habitacionais contratados com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). 

O Executivo é garantidor do passivo e, por isso, diz que, se não houver rediscussão e a estatal não possuir os recursos para arcar com o débito, a conta será repassada ao Tesouro Estadual — e com acréscimos.

Na semana passada, a administração encaminhou à Assembleia Legislativa (ALMG) projeto de lei solicitando autorização para ser garantidor da repactuação, que pode chegar a R$ 709,3 milhões.

Os financiamentos habitacionais envolvidos na renegociação foram firmados até junho de 2001. Em texto encaminhado aos deputados estaduais e obtido por O Fator, o governador Mateus Simões (PSD) afirma que o Palácio Tiradentes “pode ter que arcar com o pagamento de valores expressivos caso a Cohab Minas não tenha capacidade financeira de cumprir as obrigações assumidas, que serão ampliadas em razão de encargos substancialmente mais gravosos”. 

O rol de garantias oferecidas pelo governo a fim de viabilizar a renegociação tem recursos a que Minas tem direito no âmbito de repasses constitucionais da União, como o Fundo de Participação dos Estados (FPE). Também há a intenção de oferecer receitas oriundas de tributos estaduais, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

“A autorização legislativa pretendida se destina a garantir condições mais favoráveis para que a Cohab Minas consiga administrar e quitar seus débitos, beneficiando, também, a saúde financeira do estado”, emenda Simões, no material enviado à ALMG.

Contas no vermelho

Como O Fator já mostrou, a Cohab Minas opera no vermelho. Em junho, a empresa registrava prejuízo acumulado de R$ 1,3 bilhão. A estatal chegou a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo imunidade tributária a fim de evitar a cobrança de impostos da União sobre seus bens, renda e serviços.

Em nota enviada à reportagem, o governo ratificou a pretensão de renegociar a dívida referente ao FGTS até o fim do ano. A revisão dos termos do débito, sustenta, é importante “para o equilíbrio financeiro da companhia e a redução de riscos para as contas públicas estaduais”.

Preocupação fiscal

Minas lida com um cenário fiscal delicado. A dívida total, segundo dados de 30 de setembro, supera os R$ 200 bilhões. Apenas com a União, o saldo negativo é de cerca de R$ 188 bilhões.

Para 2027, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) prevê déficit de R$ 10,5 bilhões. A projeção, cabe ressaltar, é conservadora, visto que nos últimos cinco exercícios houve superávit.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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