A estratégia de um sindicato para convencer deputados a mudar de lado na PEC da Copasa

Votação em 2° turno de texto que dispensa realização de referendo para autorizar venda da empresa pode acontecer nesta semana
O plenário da Assembleia de Minas
PEC da Copasa foi aprovada em 1° turno no mês passado. Foto: Willian Dias/ALMG

A entidade de classe que representa trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) lançou mão de uma estratégia com carros de som e distribuição de panfletos para tentar convencer deputados que se manifestaram favoravelmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim do referendo no 1° turno a mudar de posição na votação definitiva, em 2° turno, prevista para esta semana.

O Fator apurou que o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais (Sindágua-MG), encomendou jingles personalizados, citando nominalmente deputados que deram sinal verde à PEC, a fim de tocá-los, por meio de carros de som, nas bases eleitorais dos parlamentares.

A reportagem teve acesso a exemplos. A gravação faz menção ao parlamentar e às cidades ou bairros em que obteve mais votos e, na sequência, diz ser “importante saber” que o deputado votou favoravelmente à PEC em 1° turno.

Na primeira votação, 52 parlamentares opinaram pela dispensa do referendo para a venda da Copasa. A campanha por mudança de posicionamento, contudo, não abrange todo esse grupo. Segundo soube a reportagem, a ideia foi concentrar a pressão sobre deputados tidos como menos fiéis ao governo de Romeu Zema (Novo).

Sem relação

Apesar da mobilização no interior, o Sindágua-MG nega participação no protesto que utilizou queima de pneus para criticar a PEC.

A barricada foi montada por manifestantes não identificados, que utilizavam máscaras e roupas pretas, em frente a um prédio onde já morou Tadeu Leite (MDB), presidente da Assembleia.

Dinheiro carimbado

Segundo a PEC da Copasa, a dispensa do referendo só será autorizada se os recursos obtidos com a privatização forem integralmente aplicados no cumprimento de obrigações referentes ao pagamento da dívida mineira junto à União.

Na prática, há permissão para a amortização direta do passivo ou para o financiamento de investimentos exigidos pelo Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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