A injeção bilionária do governo de Minas para gerir a dívida com a União

Equipe de Romeu Zema fez redesenho financeiro para suportar custos de débito de mais de R$ 160 bilhões junto à União
O governador Romeu Zema e o vice, Mateus Simões.
O governador Romeu Zema e o vice, Mateus Simões. Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG

Cinco dias após assinar a lei que autoriza a adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), o governador Romeu Zema (Novo), autorizou a abertura de crédito suplementar de R$ 2,27 bilhões no orçamento estadual. A medida, publicada nesta quarta-feira (11), direciona R$ 1,8 bilhão exclusivamente para a gestão da dívida pública.

A abertura de crédito suplementar serve para incrementar o orçamento de áreas do governo cujas despesas ficaram maiores do que o inicialmente previsto. Para viabilizar o redesenho financeiro, são utilizados recursos de setores onde há sobra. O crédito autorizado nesta quarta, por exemplo, usufrui de verbas vinculadas a convênios antigos, como um acordo entre a Polícia Militar e o Banco Central, firmado em 2020, e o superávit de receitas próprias de fundações. No caso da Fundação João Pinheiro (FJP) mais de R$ 2 milhões foram realocados.

A Secretaria de Estado da Fazenda não respondeu imediatamente aos questionamentos de O Fator a respeito do remanejamento direcionado à dívida pública, mas a reportagem apurou que a mudança no planejamento financeiro se deu por causa de vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Propag. A decisão do chefe do Executivo de barrar alguns dos artigos previstos na versão do plano de refinanciamento aprovada pelo Congresso ampliou alguns dos gastos do estado com o saldo devedor. Soma-se a isso a previsão inicial do estado de entrar no Propag em maio — o que não aconteceu.

Em janeiro, quando os vetos de Lula foram publicados, o governo Zema chegou a divulgar estimativa apontando que, se a adesão ao Propag estivesse valendo já neste ano, o estado pagaria parcela de R$ 4,1 bilhões a partir dos moldes aprovados pelo Congresso. Enquanto isso, no modelo sancionado, as cifras subiriam para R$ 7,3 bilhões.

Zema tem buscado o apoio dos congressistas de Minas a fim de reverter os vetos. Nesta quarta-feira, acompanhado do presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), o governador esteve em Brasília (DF) para conversar com os parlamentares sobre as mudanças feitas por Lula no Propag

Aos mais de 30 participantes do encontro, o chefe do Executivo sinalizou que a derrubada dos vetos poderá viabilizar a ampliação de investimentos em áreas como saúde, educação e segurança. A missão dos parlamentares mineiros, agora, será intensificar o processo de convencimento junto às bancadas partidárias para conseguir mais votos pela revisão das decisões de Lula.

Depois da publicação desta matéria, a pasta de Fazenda emitiu um comentário a respeito do remanejamento.

“A previsão da LOA contemplava a possibilidade de adesão ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (PROPAG), com efeitos financeiros a partir de maio de 2025. No entanto, como o Estado continua efetuando os pagamentos conforme as regras do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), foi preciso apenas fazer um remanejamento interno: ou seja, ajustar recursos entre as categorias de despesas (amortização e juros), sem alterar o valor total autorizado para pagamento da dívida”.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

Leia também:

Os imóveis do governo de Minas retirados de última hora da lista de bens transferidos à União

Por que o Novo acredita que áudio de Flávio a Vorcaro vai impactar campanhas de Zema e Simões

Por que apostar em um só nome é o maior risco da direita?

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse