Aliados do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) querem participar da composição do governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas Gerais e buscam espaço na futura administração estadual. O grupo pretende indicar nomes para secretarias e outros cargos, mas reclama da falta de interlocução com Cleitinho.
Dos 21 deputados estaduais eleitos pelo PL para a próxima legislatura, oito são ligados a Nikolas Ferreira. Embora componham a bancada da sigla, eles formam uma espécie de grupo próprio, com articulação política independente, alinhada às orientações do deputado federal.
Em conversas reservadas com O Fator, a maioria dos parlamentares da ala de Nikolas afirmou que o deputado federal também tem interesse em participar das conversas sobre o próximo governo e contribuir com indicações para a estrutura administrativa. O grupo, no entanto, ainda não definiu como pretende formalizar sua participação diante da ausência de conversas com Cleitinho.
Entre os aliados de Nikolas, a principal queixa é a falta de contato do governador eleito, que, segundo os relatos, ainda não os procurou nem os parabenizou pela eleição. A expectativa é que o assunto avance em uma reunião da bancada prevista para a próxima semana, quando os parlamentares devem discutir os próximos passos e a relação com o futuro governo.
Formalmente, a liderança da bancada do PL na próxima legislatura é atribuída a Bruno Engler. Apesar disso, Pablo Almeida é apontado pelos aliados de Nikolas como interlocutor nas negociações relacionadas à futura administração estadual.
Cleitinho quer aproximação
Em entrevista a O Fator, Cleitinho afirmou que deseja ouvir sugestões de Nikolas para a composição da equipe e se colocou à disposição para conversar com o deputado federal.
“Eu quero muito a sugestão do Nikolas também para poder me ajudar aqui em Minas Gerais”, declarou.
O governador eleito disse, porém, que Nikolas ainda não o procurou para tratar do assunto.
Apesar da queixa de aliados de Nikolas sobre a pouca interlocução, Cleitinho tem dito que ainda não se aprofundou nas conversas com parlamentares eleitos. A reunião da semana que vem com o PL será uma das primeiras agendas nesse sentido.
“É natural o PL ser base. A gente já tinha até um alinhamento para ter o apoio do PL à minha candidatura, mas, pela questão do meu partido não ter me oficializado (no início de agosto), o PL lançou um candidato”, projetou, mencionando o fato de os liberais terem sido representados por Flávio Roscoe na corrida ao Palácio Tiradentes.