Rejeição a Messias reabre espaço para articulação por Pacheco no STF

Senado impôs derrota histórica ao governo federal, rejeitando pela primeira vez desde 1984 um indicado presidencial ao Supremo
Rodrigo Pacheco e Jorge Messias.
Jorge Messias teve a indicação rejeitada nesta quarta-feira (29). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A decisão do plenário do Senado Federal de rejeitar, nesta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), causou reação imediata entre aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). A avaliação é de que o veto à ida do advogado-geral da União para a Corte abre espaço à retomada das articulações para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indique Pacheco.

O parlamentar tem a simpatia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que articulou contra o aval a Messias. Desde o ano passado, quando o governo federal ensaiou enviar a indicação — a mensagem presidencial acabou sendo encaminhada apenas em 1° de abril —, Alcolumbre já dava sinais de que preferia a indicação do colega de Parlamento.

Messias foi apoiado por 34 senadores, mas precisava de 41 votos para ser aprovado. Houve 42 manifestações contrárias à indicação e uma abstenção. Antes, ele recebeu sinal verde da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) com placar apertado: 16 a 11.

Para aliados, Pacheco teria aprovação garantida no Senado. O parlamentar de Minas tem interlocução com a base do governo, com a oposição e com o centrão, o que tornaria a votação uma formalidade, ao contrário do que ocorreu com Messias, primeiro indicado presidencial ao STF a ser rejeitado pelo Legislativo desde 1984.

Novo partido e ‘página virada’

Rodrigo Pacheco ingressou no início de abril no PSB. O desejo de Lula é tê-lo como candidato ao governo de Minas Gerais, garantindo palanque em um estado considerado estratégico. O senador, entretanto, ainda não bateu o martelo sobre o tema. Antes do veto do Senado a Messias, colegas de partido do senador relataram otimismo com a possibilidade da candidatura se concretizar.

Aliados de Pacheco já trabalhavam com a possibilidade de rejeição ao chefe da Advocacia-Geral antes mesmo da votação. O governo chegou à semana da sabatina com apenas 25 votos considerados garantidos, 35 declaradamente contrários e 21 indecisos. O senador, cabe lembrar, votou favoravelmente a Messias.

Em março, Pacheco declarou que a possibilidade de ir ao STF era “uma página virada”. Na véspera da sabatina, almoçou com Messias, com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o presidente nacional do PSB, João Campos.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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