A candidatura de Flávio Roscoe (PL) ao governo de Minas chegou mais perto de ser retirada do que indicava o desfecho da reunião do partido nesta terça-feira (29). Segundo interlocutores do PL ouvidos por O Fator, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, chegou a preparar uma carta para formalizar a retirada do empresário da disputa, mas recuou após uma intervenção do senador Rogério Marinho (PL-RN).
A discussão ocorreu durante uma reunião da direção nacional, realizada às 20h, horas depois de a Executiva mineira se reunir para tratar da pressão pela saída de Roscoe.
O empresário resistiu às investidas. Durante a reunião, reafirmou que não pretendia abandonar a disputa e chegou a conversar com o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que tem sido um dos principais defensores da permanência de Roscoe na eleição mineira.
A iniciativa de Valdemar, porém, não avançou. Segundo os interlocutores, Rogério Marinho, que é o coordenador da campanha de Flávio, entrou nas articulações e convenceu o presidente nacional do PL a recuar.
Com isso, a decisão voltou para a executiva estadual, e, conforme noticiado por O Fator, a reunião terminou com uma solução intermediária: a manutenção da candidatura de Roscoe, mas com a possibilidade de integrantes do partido que defendem Cleitinho Azevedo (Republicanos) manifestarem apoio ao senador sem sofrer sanções partidárias.
O entendimento deverá ser formalizado em uma carta dos dirigentes mineiros à Executiva nacional.
Divisão interna
O movimento busca administrar a divisão interna do partido. Entre os defensores do apoio a Cleitinho estão o presidente estadual do PL, deputado federal Zé Vitor, e o candidato ao Senado Domingos Sávio. Roscoe, por outro lado, conta com o apoio de Flávio Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira.
A ala favorável a Cleitinho argumenta que o movimento também pode beneficiar a campanha presidencial do PL.
O cálculo desse grupo é que o apoio dos parlamentares do partido ajude Cleitinho a tentar vencer a disputa pelo governo de Minas ainda no primeiro turno. Nesse cenário, o senador ficaria livre, durante um eventual segundo turno presidencial, para concentrar esforços na campanha de Flávio Bolsonaro no estado.
A tese é contestada pelo entorno de Roscoe. A campanha do empresário sustenta, com base em levantamentos internos do PL, que ele cresceu na reta final e ainda tem condições de avançar ao segundo turno. Aliados também argumentam que uma disputa entre Roscoe e Cleitinho na segunda etapa colocaria dois nomes próximos a Flávio Bolsonaro na corrida pelo governo mineiro.