O PT confirmou, nesta segunda-feira (20), a pré-candidatura do deputado federal Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais. O anúncio ocorreu durante uma reunião com parlamentares e lideranças da sigla em Belo Horizonte.
Como O Fator antecipou, Patrus conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (17) e alinhou as bases da pré-candidatura. A batida de martelo, contudo, ficou para depois da agenda com os correligionários mineiros.
O deputado federal mineiro chegou a publicar, na manhã desta segunda-feira, um vídeo em seu perfil no Instagram em que falava sobre sua pré-candidatura, mas retirou a publicação do ar pouco depois. Na gravação, como mostrou a reportagem, ele relembra sua trajetória política.
“(Foram) muitas conversas e reflexões sobre nossa pré-candidatura ao governo do estado de Minas. Depois dessas conversas, tomei uma decisão e quero compartilhar hoje: é o primeiro anúncio que estou fazendo formalmente da minha pré-candidatura ao governo do nosso querido estado de Minas Gerais”, pontuou.
Períplo petista
A confirmação do ingresso do ex-ministro do Desenvolvimento Social no páreo encerra a busca petista por um nome para encabeçar o palanque lulista no estado. O plano A de Lula era o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), mas, no fim de maio, ele anunciou que deixará a vida pública ao término do mandato no Congresso Nacional.
Teve início, então, um périplo do PT em busca de um nome para lançar uma candidatura própria. Chegaram a ser cotadas a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Sandra Goulart Almeida e a ex-prefeita de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), Marília Campos.
Marília era a principal opção do partido, mas resistiu à ideia e preferiu manter a pré-campanha ao Senado Federal. Em meio ao cenário conturbado, interlocutores da sigla também chegaram a conversar com pré-candidatos de outras legendas, como Gabriel Azevedo (MDB), Jarbas Soares Júnior (PSB) e Alexandre Kalil (PDT).
As articulações em torno de Patrus ganharam força na semana passada. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ex-ministro Gilberto Carvalho procuraram o correligionário para convencê-lo a aceitar a candidatura. Na conversa, apresentaram uma pesquisa que mostrava desempenho semelhante ao de Marília Campos na disputa pelo Palácio Tiradentes.
Contra o tempo
Com Patrus confirmado na disputa, o PT passa agora a buscar alianças para montar a coligação. A frente terá, ao menos oficialmente, as participações de PV e PCdoB, que compõem uma federação partidária com a agremiação de Lula. Parte dos verdes, contudo, tem a intenção de assegurar apoio informal a Gabriel Azevedo.
O PSB também está na mira. Na semana passada, o ex-ministro José Dirceu disse ver Jarbas Soares como o vice ideal. No entanto, também há resistência de uma ala da sigla socialista a compor com os petistas.
Já o Psol sinalizou a intenção de caminhar com Patrus. A legenda, federada à Rede, precisará primeiro viabilizar um acordo interno para confirmar a aliança. A ideia é lançar a ex-deputada federal Áurea Carolina como candidata ao Senado na chapa, em uma dupla com Marília Campos.
A candidatura, cabe ressaltar, só se tornará formal após a convenção da federação PT-PCdoB-PV. A janela destinada à realização dos encontros partidários começou nesta segunda-feira e se fecha em 5 de agosto.
Retorno
Em seu quarto mandato na Câmara dos Deputados, Patrus Ananias disputará pela segunda vez o governo de Minas. Será sua primeira candidatura majoritária desde 2012, quando concorreu à Prefeitura de Belo Horizonte, cargo que já havia ocupado entre 1993 e 1996. Na ocasião, foi derrotado por Marcio Lacerda (PSB). A primeira vez dele participando do pleito estadual aconteceu em 1998.
Dois anos antes, o parlamentar se candidatou a vice-governador na coalizão liderada por Hélio Costa (MDB), em pleito que terminou com vitória de Antonio Anastasia, então no PSDB. Patrus ainda chefiou o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na reta final do governo de Dilma Rousseff (PT) e já exerceu um mandato de vereador na capital mineira, entre 1989 e 1992.