Após renovar contrato do nióbio, Codemig promete retirar sigilo sobre documentos de parceria com a CBMM

A O Fator, Luísa Barreto, presidente da estatal, disse que materiais serão tornados públicos em ‘alguns dias’
A presidente da Codemig, Luísa Barreto
A presidente da Codemig, Luísa Barreto. Foto: Daniel Protzner/ALMG

A presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Luísa Barreto, disse, nesta sexta-feira (31), a O Fator, que a empresa vai retirar o sigilo de 15 anos imposto sobre uma série de documentos referentes ao acordo com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) pela exploração do nióbio de Araxá, no Alto Paranaíba. O contrato entre Codemig e CBMM venceria em 2032, mas nesta semana recebeu um aditivo de 30 anos

“Com esse novo acordo assinado, a escritura se tornará pública em alguns dias, após trâmites cartoriais, e tornaremos públicos também todos documentos relacionados, com exceção daqueles que tenham informações particulares da CBMM e que foram passadas sob regra de sigilo”, afirmou.

O sigilo sobre os documentos da parceria entre Codemig e CBMM foi revelado por O Fator em 10 de outubro. Um dos materiais classificados como secreto era descrito como “instrumento de formalização da demanda de oportunidade de negócio vinculada a transação com parte relacionada da nova Escritura Pública de Formalização de Parceria entre a Codemig e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração – CBMM”.

Inicialmente válido até 2055, o novo acordo entre Codemig e CBMM tem cláusulas que permitem prorrogação até 2070. Segundo Luísa, os termos dão à estatal 25% de lucro sobre qualquer exploração minerária feita pela sociedade na região de Araxá. Assim, a empresa pública receberá, também, recursos referentes à captação de minerais como as terras raras.

De acordo com a dirigente, a decretação de sigilo foi “fundamental” para o andamento das tratativas junto à empresa privada sócia da Codemig no nióbio araxaense. 

“Apenas em 2024, os recursos do nióbio representaram mais de R$ 1,7 bilhão para a Codemig e o estado. E análises financeiras independentes mostraram que a renovação da parceria era o melhor caminho para gerar mais dividendos e melhorar o valuation das empresas”, justificou.

Além do material relacionado à nova escritura pública entre as duas companhias, a Codemig também colocou sob sigilo diversos pareceres jurídicos produzidos por escritórios de advocacia.

Olho no Propag

A renovação do contrato entre Codemig e CBMM vinha sendo defendida por integrantes do primeiro escalão do governo de Minas por causa, sobretudo, das negociações referentes ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). 

A Assembleia Legislativa (ALMG) já autorizou a federalização da estatal e de sua subsidiária, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), como forma de abater parte do débito junto à União, que ultrapassa os R$ 170 bilhões.

No entendimento do Palácio Tiradentes, a extensão do acordo para a exploração do nióbio preservaria o valor de mercado da Codemig, uma vez que o trabalho minerário em Araxá é o principal ativo da companhia.

A primeira proposta do governo mineiro para a dação da Codemig à União, cabe lembrar, foi rechaçada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), ente que representa o Palácio do Planalto no âmbito do Propag. A oferta era por transferência de fatia minoritária do capital acionário.

A STN respondeu que o decreto do Propag só permite a incorporação de parcelas minoritárias de sociedades anônimas listadas na Bolsa de Valores, o que não é o caso da Codemig.

Goldman Sachs

A relação de documentos postos em sigilo pela Codemig tem, ainda, um material elaborado pela consultoria norte-americana Goldman Sachs. O item, segundo a planilha que descreve os papéis considerados secretos, contém “projeções financeiras” da estatal.

A Goldman foi contratada pela Codemig para estimar o valor de mercado da companhia mineira. Embora o tamanho do desconto na dívida obtido por meio da federalização tenha de ser previamente acordado com a União, a firma norte-americana foi acionada como forma de evitar que a empresa mineira participasse das negociações sem ter estimativas quanto ao próprio

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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