Aro embarca na campanha de Cleitinho, que descarta ‘insegurança’ por vaivém em candidatura

Após meses de impasses e mudanças de posição, direção nacional da legenda autoriza candidatura do senador ao comando do estado
O senador Cleitinho (Republicanos-MG).
Decisão da candidatura de Cleitinho Azevedo, antecipada por O Fator, foi tomada após reunião da cúpula da legenda e encerra meses de negociações e idas e vindas entre o senador e o partido. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Confirmado pelo Republicanos na corrida ao governo de Minas Gerais, senador Cleitinho Azevedo disse, nesta sexta-feira (7), não ter “insegurança” por causa do vaivém que marcou o processo de definição da candidatura. Ele deu a declaração em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, ao lado de aliados como Marcelo Aro, que concorrerá ao Senado Federal pelo PP.

“Quem nunca teve emoção na vida? Quem nunca chorou? Quem nunca teve uma perda? O que estou passando, só minha família sabe. Voltei atrás, sim. Quem nunca voltou atrás? Qual o problema de voltar atrás? Todas as vezes que eu precisar voltar atrás, vou ter humildade para falar. Insegurança não tenho nenhuma. Sei muito bem do que o estado precisa”, afirmou.

Embora seja componente da federação União Brasil-PP, que caminhará com Mateus Simões (PSD), Aro garantiu que trabalhará por Cleitinho. Ele voltou a pedir unidade dos partidos à direita.

“Faço um apelo para os outros partidos que estão no nosso campo. Até o dia 15, é hora de a gente ceder para aquele que realmente tem condições de ganhar e governar o estado”, falou. O PL, cabe recordar, lançou Flávio Roscoe como concorrente.

Escolhido para ser vice, Luís Eduardo Falcão, ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e também do Republicanos, afirmou que a ideia é “entregar resultados à população”.

“Sabia que ia ser sofrido, mas não sabia que ia ser tão sofrido assim”, brincou, em alusão à conturbada semana de idas e vindas no partido.

O anúncio, adiantado por O Fator, ocorreu na Praça do Santuário, em Divinópolis (Centro-Oeste), horas depois de a cúpula do Republicanos rever a estratégia eleitoral e autorizar o lançamento da candidatura do parlamentar. Depois, o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira (SP), emitiu nota pública para confirmar a deliberação.

“A decisão foi tomada após o senador reconhecer os equívocos cometidos durante o processo, apresentar formalmente suas desculpas à direção nacional e estadual do partido, à população mineira e às forças políticas envolvidas na construção eleitoral, além de assumir o compromisso definitivo de levar sua candidatura até o fim”, pontuou, em menção às idas e vindas que marcaram o processo.

O aval foi dado durante uma reunião realizada na residência de Pereira, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Participaram do encontro Cleitinho, o presidente estadual do partido, deputado federal Euclydes Pettersen, e outros aliados.

Na Praça do Santuário, Cleitinho participou de um telefonema para Pereira e agradeceu ao dirigente pela decisão. Ele admitiu estar “ferido” por causa da morte do irmão, Matheus, mas assegurou que encabeçará a campanha mesmo assim.

A definição encerra meses de indefinição nas negociações entre Cleitinho e a direção nacional da sigla. Na segunda-feira (3), o senador chegou a anunciar que não concorreria ao Palácio Tiradentes nas eleições deste ano.

Menos de 24 horas depois, porém, surpreendeu a cúpula nacional ao voltar atrás. Durante a convenção nacional da agremiação, em Brasília (DF), pediu uma nova oportunidade para entrar na disputa pelo Palácio Tiradentes, foi repreendido publicamente por Pereira e retomou as conversas com a direção nacional.

A resistência, no entanto, persistiu até esta sexta-feira. Ao longo das negociações, dirigentes chegaram a discutir alternativas ao nome do parlamentar para cabeça de chapa, entre elas uma candidatura de Falcão ao comando do estado ou do ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo, irmão gêmeo de Cleitinho.

Segundo apurou a reportagem, uma das preocupações dos caciques era evitar que a mudança de rumo transmitisse a impressão de falta de autoridade do partido diante das sucessivas reviravoltas protagonizadas pelo senador. Por isso, um dos eixos da manifestação de Cleitinho foi o de que a palavra final caberá ao eleitor mineiro.

Cenário político

A definição também ocorreu em meio ao avanço das articulações eleitorais entre partidos da direita e da centro-direita em Minas. Enquanto o Republicanos discutia internamente o futuro de Cleitinho, o PL decidiu lançar candidatura própria ao governo, com o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado (Fiemg), Flávio Roscoe.

Já a federação formada por União Brasil e PP optou por apoiar a tentativa de reeleição do governador Mateus Simões (PSD), indicando Aro para o Senado. Os movimentos reduziram as possibilidades de construção de uma candidatura única do campo da direita, hipótese defendida por dirigentes das legendas ao longo da pré-campanha.

Como o impasse chegou até aqui

O Republicanos havia comunicado no fim de julho que não lançaria candidato ao governo de Minas. A justificativa era a falta de uma posição definitiva de Cleitinho, que, desde 2025, alternava declarações de que disputaria o Palácio Tiradentes com manifestações de que abriria mão da corrida eleitoral.

Na segunda-feira (3), após reunião da Executiva Nacional, a legenda divulgou um vídeo em que o senador afirmava compreender a posição do partido e dizia que não concorreria à eleição em razão do luto pela morte do irmão, ocorrida em 18 de julho, além de problemas de saúde enfrentados por outros familiares.

No dia seguinte, porém, durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, Cleitinho surpreendeu a direção da legenda ao pedir a palavra para solicitar uma nova oportunidade de concorrer ao governo mineiro. O senador afirmou que havia reconsiderado a escolha após conversar com familiares e receber manifestações de apoio.

A iniciativa provocou uma reação pública do presidente nacional do partido, Marcos Pereira, que criticou as sucessivas mudanças de posição do parlamentar e afirmou que seria “irresponsável” entregar a candidatura ao senador diante da instabilidade demonstrada ao longo das negociações.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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