CCJ da Assembleia aprova projeto de privatização da Copasa

Texto ainda precisa passar por mais duas comissões antes de votação em 1° turno no plenário
CCJ vota PEC da Copasa
Comissão aprovou nesta segunda (17) projeto de privatização da Copasa. Foto: Willian Dias/ALMG

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa (ALMG) aprovou, nesta segunda-feira (17), o projeto de lei que autoriza a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Foram quatro votos favoráveis ao texto; houve duas manifestações contrárias.

Antes de chegar ao plenário para o 1° turno de votação geral, a proposta será analisada pelas comissões de Administração Pública (APU) e Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO) da Assembleia. Os debates na APU começam já nesta terça-feira (18). O comitê marcou, inclusive, uma audiência pública que terá a participação do presidente da estatal, Fernando Passalio.

O aval da CCJ à privatização da Copasa aconteceu na forma de um substitutivo apresentado pelo relator, Doorgal Andrada (PRD).

A nova versão da proposta proíbe a demissão de servidores da companhia nos 18 meses seguintes à concessão e afirma que o preço repassado aos consumidores deve seguir em patamares considerados razoáveis. Também há obrigação de criação de um sistema de controle anual para o acompanhamento das metas de universalização do setor de saneamento.

Vínculo com dívida

Originalmente, o projeto de privatização da Copasa chegou ao Legislativo em novembro do ano passado. Sem encontrar consenso na Casa, o texto só passou a tramitar em setembro, quando uma nova redação vinculou as verbas oriundas da eventual desestatização ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

A proposição diz que o dinheiro arrecadado com a venda de ações terá de ser usado na amortização de parte do passivo mineiro junto à União ou no cumprimento de investimentos públicos exigidos pelo Propag.

As regras do Propag apontam que um percentual 0,5% e 2% do saldo devedor das unidades federativas precisa ser utilizado para bancar ações políticas públicas. 

O plano do Executivo é fazer aportes anuais de 1% do valor da dívida no Fundo de Equalização Federativa (FEF) e de mais 1% em investimentos internos (nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e segurança).

As medidas são requisitos para que o Estado possa usufruir dos benefícios do Propag, como a isenção de juros mediante abatimento de até 20% da dívida, mantendo apenas a correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sem a incidência de juros complementares.

Durante a sessão desta segunda, deputados estaduais de oposição ao governador Romeu Zema (Novo), contrários à privatização da Copasa, tentaram obstruir a votação por meio da apresentação de requerimentos.

Os planos do governo Zema

A Copasa contratou recentemente três consultorias para apoiar a empresa no processo de privatização. Foram chamados a Stocche Forbes, a Ernst & Young e o banco BTG Pactual.

A busca por assessorias técnicas atende a uma recomendação expedida pelo governo estadual após a aprovação, em 2° turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dispensa o referendo popular para a desestatização da empresa. A PEC ainda carece de promulgação.

Como O Fator já mostrou, o governo Zema pretende concluir a privatização da Copasa até a desincompatibilização do atual chefe do Executivo, que terá de deixar o cargo no início de abril para conduzir a pré-candidatura à Presidência da República.

O modelo a ser seguido para a negociação de títulos da Copasa ainda não está definido. Uma das ideias analisadas é a adoção de uma estratégia mista, com duas frentes de ação. De um lado, a negociação de um bloco relevante de ações para um parceiro de referência; de outro, e em paralelo, a oferta de uma leva de papéis na Bolsa de Valores, por meio do chamado follow on.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Leia também:

Governo de Minas altera oferta por privatização da Copasa e fixa preço mínimo de R$ 47,23 por ação

O pedido de Kassab para mudar suplente de Viana ao Senado

Ataques contra custo de segurança da Arena MRV atingem colaboradores e torcedores PcD

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse