O fato de o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, ter sido eleito governador de Minas Gerais sem uma ampla costura partidária dá mais liberdade a ele para formar o rol de auxiliares e a base aliada. A análise é do deputado estadual Carlos Henrique, correligionário do congressista e um dos articuladores da reviravolta que fez a direção nacional da sigla permitir uma candidatura própria em solo mineiro.
“Vamos dialogar com todos os partidos da Assembleia. Cleitinho foi eleito sem composição partidária. Hoje, ele está muito à vontade, porque não fez compromisso com nenhum partido sobre composição de cargos. Mas a gente entende que ele precisa governar com parcerias”, explica, em entrevista a O Fator.
A aliança encabeçada por Cleitinho teve, além do Republicanos, o Podemos. Carlos, como mostrou a reportagem nessa segunda-feira (5), afirma que o correligionário está disposto a ouvir indicações de partidos para o preenchimento dos postos no governo, desde que as sugestões tenham pertinência técnica.
Dono da maior bancada da futura composição da Assembleia Legislativa (ALMG), com 21 representantes, o PL é uma das siglas com quem o Republicanos deseja abrir conversas. Os liberais, liderados por Bruno Engler, veem uma aliança com Cleitinho como caminho factível, mas condicionam qualquer acerto à postura do governador eleito no 2° turno presidencial.
Caso haja embarque efetivo na campanha de Flávio Bolsonaro, pontua Engler, a entrada na base se tornará o caminho natural. Se a opção de Cleitinho for por uma participação mais tímida no pleito nacional, o PL passará a avaliar opções como a independência em relação ao Palácio Tiradentes.
Montagem de governo e transição em vias paralelas
De acordo com Carlos Henrique, que ocupa a Secretaria-Geral do Republicanos em Minas, a montagem do primeiro escalão acontecerá paralelamente à transição de governo. O processo de passagem de bastão, sustenta, servirá para que a nova equipe possua “um real diagnóstico da situação do estado”.
A gestão de Mateus Simões (PSD), a propósito, pretende transmitir as reuniões oficiais de transição. O processo começará nesta terça-feira (6), ainda de modo interno, por meio de uma reunião de secretários de Estado. Esse encontro já será exibido pela Rede Minas.