A equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a decisão de não ir ao debate da TV Globo, previsto para quinta-feira (1º), foi um dos principais erros do primeiro turno.
O diagnóstico é feito no momento em que a campanha revisa o que pode mudar para não repetir o resultado no segundo turno. Neste domingo (4), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou à frente, com 47,07% dos votos válidos, contra 45,11% de Lula. A disputa será decidida em 25 de outubro.
Para integrantes da equipe ouvidos pela reportagem, o presidente perdeu a chance de confrontar Flávio diante do público. A leitura é de que o senador seria alvo também dos demais candidatos.
O grupo entende ainda que o debate abriria espaço para a apresentação de propostas e que o embate direto poderia ter alavancado a candidatura. Um exemplo citado é o de 2022, quando, na avaliação da equipe, os debates deram mais visibilidade ao petista diante da tentativa de reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A equipe reconhece que a campanha precisa melhorar a conversa nas redes sociais. Considera, porém, que o presidente não poderia ter se dado ao luxo de trocar a TV aberta por um podcast. O argumento é de que a audiência da televisão, embora menor do que há alguns anos, ainda alcança eleitores indecisos.
Depois da apuração, Lula sinalizou disposição para o confronto direto. “Eu sou muito bom no mata-mata”, disse. O presidente chamou o segundo turno de “prova dos nove” e admitiu que esperava vencer no primeiro.
Desenrolar dos fatos
Lula avisou que não iria ao último debate antes da votação e marcou entrevista ao Flow Podcast para o mesmo horário. A sinalização do presidente foi feita antes mesmo da disputa judicial em torno do programa.
Por meio de decisões monocráticas, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiram a emissora de exibir em destaque o púlpito vazio do petista e incluíram Romeu Zema (Novo). Depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) na vaga aberta por Lula.
Flávio Bolsonaro desistiu cerca de duas horas antes do horário marcado e atribuiu a decisão ao que chamou de censura do TSE. Adversários afirmaram que o senador evitou virar alvo único no debate. A Globo cancelou o programa em seguida e citou as sucessivas decisões judiciais.