O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) piorou seu desempenho em todos os municípios de Minas Gerais, comparando o primeiro turno deste ano com a mesma disputa em 2022, quando ele enfrentou Jair Bolsonaro (PL). Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidados por O Fator mostram que a perda de fôlego do petista, ainda que geral, ficou mais concentrada em determinados perfis do eleitorado mineiro.
O comparativo da reportagem considera o percentual de votos válidos registrado pelo presidente em cada cidade do estado, tanto em 2026 quanto há quatro anos.
Não se considerou, para análise, os votos propriamente ditos, pois a população apta a votar varia entre os pleitos, assim como o número de nulos e brancos.
Geograficamente, a maior diferença negativa para Lula aconteceu na Região Noroeste do estado, onde ele perdeu, em média, 10,2 pontos percentuais por município. Em Paracatu, maior cidade da regional com quase 100 mil habitantes, ele caiu de 41,77% dos votos válidos em 2022 para 32,24% nesse domingo (4), por exemplo.
O presidente também recuou no Alto Paranaíba, onde perdeu 9,45 pontos percentuais em relação a 2022, considerando a média municipal. Em Patos de Minas (160 mil habitantes), por exemplo, caiu de 34,45% dos válidos para 28,46%, segundo os dados do TSE.
Até mesmo em regiões onde venceu a maior parte das cidades, Lula registra queda em relação a 2022. No Norte de Minas, por exemplo, a queda é de 5,7 pontos por município. Em Montes Claros, cidade-polo do território, houve diminuição de 46,63% para 42,57% dos votos válidos.
Pequenas prefeituras
Análise estatística feita pela reportagem mostra que Lula perdeu espaço, em relação ao primeiro turno de 2022, sobretudo nas cidades de populações menores.
Nos municípios de até 5 mil habitantes, o candidato à reeleição perdeu, em média, 7,1 pontos percentuais em relação a 2022, contra 5,7 pontos naqueles com populações superiores a 20 mil pessoas.
Análise por PIB
O Fator também conferiu se há diferença no desempenho de Lula, no comparativo com o primeiro turno de 2022, entre as cidades mais ricas e as mais pobres do estado. Para isso, considerou-se o Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
A análise mostra que o petista perdeu mais terreno entre as cidades mais ricas, onde houve redução média de 7,1 pontos percentuais por município. Entre os mais pobres, a queda média foi de 6,1 pontos.