Crise com Superman faz Novo cogitar manobra para inviabilizar candidatura ao Senado

Relação entre partido e candidato deteriora e dirigentes cogitam responder à ‘infidelidade’, mas temem Nikolas Ferreira
O influenciador Marco Antônio Costa, o 'Superman'
Marco Antônio Costa, o 'Superman'. Foto: Instagram/Reprodução

A crise entre o Novo e o candidato ao Senado Marco Antônio Costa, o Superman, chegou a um ponto em que o partido passou a discutir a renúncia de um dos suplentes da chapa — medida que, sem a indicação de substituto, pode inviabilizar o registro da candidatura na Justiça Eleitoral.

Nesta quarta-feira (23), Superman afirmou nas redes sociais que dirigentes da legenda o ameaçaram com o cancelamento de sua candidatura. A informação foi confirmada por apuração de O Fator.

O conflito começou após Superman firmar apoios a candidatos de outros partidos, contrariando o entendimento político que sustentou sua candidatura pelo Novo. Para conseguir o aval partidário para disputar a Câmara Alta do Congresso Nacional, o influenciador se comprometeu a apoiar a reeleição do governador Mateus Simões (PSD), bem como correligionários que concorrem a deputado.

O acordo também previa que a legenda escolheria os dois suplentes da chapa de Superman. A candidatura foi construída quando Marcelo Aro (PP), também postulante ao Senado, rompeu politicamente com Simões e com o grupo do governador Romeu Zema (Novo). Ao lançar Superman, a sigla buscava apresentar um nome próprio na corrida por uma das duas vagas mineiras na Casa e reduzir o espaço eleitoral de Aro.

Na avaliação de dirigentes e interlocutores do Novo, Superman deixou de cumprir a parte política do trato. O candidato passou a apoiar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o vereador Pablo Almeida (PL), candidato a deputado estadual com o apoio de Nikolas, e Flávio Roscoe (PL), candidato ao governo de Minas. Ele mescla o apoio a Roscoe a gestos a Cleitinho Azevedo (Republicanos)

Na semana passada, o presidente estadual do Novo, Christopher Laguna, já havia criticado a postura do candidato. Em entrevista a O Fator, Laguna disse que a estratégia de Superman “não faz sentido” porque a legenda cedeu a candidatura dentro de um arranjo que incluía o apoio a Zema, Simões e aos candidatos proporcionais do partido.

“O 30 deu a legenda para ele e, ao vir ao Senado pelo Novo, sabia que os apoios eram a Romeu Zema e a Mateus Simões, junto dos candidatos a deputado pelo Novo, com o objetivo maior de bater a cláusula de barreira e eleger candidatos federais”, afirmou Laguna.

Partido cobra recuo

Pelo que O Fator soube, dirigentes do Novo cobraram que Superman deixasse de priorizar candidaturas de outras siglas e retomasse o alinhamento com o projeto eleitoral do partido. A avaliação interna é de que ele não demonstrou disposição para recuar.

Diante disso, a legenda passou a considerar a possibilidade de um dos suplentes renunciar à candidatura. Como o Novo controla a indicação dos suplentes, o partido poderia deixar a vaga aberta após a desistência. Sem a chapa completa, a candidatura de Superman poderia se tornar inviável perante a Justiça Eleitoral.

A alternativa é tratada como forma de pressão sobre o candidato, mas a chance de execução é considerada baixa. Integrantes do Novo avaliam que a medida poderia provocar um conflito com Nikolas Ferreira, que se aproximou de Superman durante a campanha.

Relação com Nikolas

Nikolas atua na articulação da dobradinha entre Superman e o deputado federal Domingos Sávio (PL), também candidato ao Senado. O parlamentar também apoia Pablo Almeida e Flávio Roscoe, nomes que passaram a receber apoio de Superman.

O Novo tenta manter interlocução com Nikolas e considera, nos bastidores, a possibilidade de atraí-lo para o partido no futuro. Uma decisão que leve à retirada de Superman da disputa poderia comprometer essa aproximação.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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