De olho no apoio de Bolsonaro, Simões diz que Cleitinho ‘não é da direita’: ‘É um candidato da esquerda, não?’

Pré-candidato em Minas, vice de Zema quer diálogo com senador em prol de aliança e tem Nikolas como trunfo por apoio do PL
O vice-governador Mateus Simões
Mateus Simões vai deixar o Novo e se filiar ao PSD. Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

Pré-candidato ao governo de Minas Gerais e vice de Romeu Zema (Novo), Mateus Simões mira o apoio de Jair Bolsonaro (PL) para a eleição do ano que vem e diz que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), também pré-candidato ao Executivo estadual, “não é da direita”.

As declarações de Simões foram dadas à newsletter Jogo Político, enviada nesta sexta-feira (24) pelo jornal O Globo a assinantes.

“Cleitinho não é um candidato de esquerda, não? Ele já chutou foto do Bolsonaro, defende o fim da jornada 6×1, não quer a responsabilidade fiscal e é a favor dos movimentos sindicais em Minas. Ele é um candidato popular, mas não é da direita. É, no máximo, de alguns bolsonaristas”, afirmou, ressaltando que, apesar das diferenças, tem conversado com o senador sobre a necessidade de unificação das forças mineiras que estão à direita do espectro político.

De saída do Novo para o PSD, Simões garante que, apesar de almejar uma aliança com o PL no ano que vem, não se considera um bolsonarista.

“Não sou (bolsonarista), embora tenha votado e diga que votaria novamente se ele pudesse ser candidato. Bolsonaro deveria estar solto, sou a favor da anistia. Aliás, quero o apoio dele para governador no ano que vem”, pontuou.

O embarque do vice-governador no partido de Gilberto Kassab está marcado para a segunda-feira (27). Ao anunciar, a dirigentes do Novo, a decisão de mudar de legenda, Simões afirmou que tomou a atitude porque enxerga a nova sigla como trunfo importante na busca pela formação de uma coalizão à direita no ano que vem. 

Além de PL e Republicanos, A ideia é unir, em uma frente ampla, legendas como PP, União Brasil, Podemos, DC e Solidariedade.

Em busca do ‘PSD de Ratinho’

Ao comentar os posicionamentos do PSD, que compõe a Esplanada dos Ministérios e, paralelamente, faz parte da base de apoio à gestão Zema, Simões afirmou que trabalhará para que o partido seja “cada vez mais” o de “PSD do Ratinho Júnior”, governador paranaense cotado para concorrer à Presidência da República como opositor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

“Separo o Mateus em dois. O de 2016, quando entrei na política, era mais programático. Depois que fui para o Executivo passei a ser pragmático. O PSD lançou o Alexandre Kalil contra a gente em 2022, mas quando acabou a eleição eu chamei o partido para conversar, e eles viraram a maior legenda da nossa base. Ir para o partido vai somar na formação de uma coalizão para ganhar em 2026. Sei que há o PSD dos ministérios, do Alexandre Silveira, do Rodrigo Pacheco e do senador Otto Alencar. Mas eu vou trabalhar para cada vez mais sermos o PSD do Ratinho Júnior”, explicou.

Nikolas é trunfo

Além do diálogo com Cleitinho, Simões também tem defendido a formação de uma frente ampla em conversas com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). O parlamentar é cotado para representar a legenda de Jair Bolsonaro na corrida ao Palácio Tiradentes, mas, como O Fator mostrou mais cedo, a decisão dos liberais sobre os rumos a seguir em Minas só será tomada no ano que vem.

A boa relação entre Nikolas e Simões, aliás, é uma das apostas de aliados do vice-governador para atrair o PL à chapa que será encabeçada pelo PSD.

“Tenho convicção que as convergências farão o Nikolas me apoiar. Ele é um fenômeno e será o político mais importante da direita do Brasil um dia”, projetou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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