Pré-candidato do PL mineiro ao Senado, o deputado federal Domingos Sávio acredita que as recentes críticas do ex-governador Romeu Zema (Novo) ao senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) colocam ponto final nas conversas sobre uma possível aliança entre ambos na disputa presidencial deste ano.
Zema chamou de “tapa na cara dos brasileiros de bem” o áudio enviado por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro reivindicando o pagamento de uma parcela do financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Infelizmente, Zema se mostrou oportunista, extremamente infeliz e até injusto por sair atacando sem antes ouvir a explicação de Flávio”, disse Sávio, nesta quinta-feira (14), a O Fator.
Presidente do PL no estado até o início da semana, Domingos Sávio repassou o cargo ao também deputado federal Zé Vitor. A mudança aconteceu para o parlamentar priorizar as agendas relativas à pré-candidatura ao Senado. Apesar da troca, ele ainda permanece no diretório mineiro — agora, como secretário-geral.
Sávio vinha defendendo a possibilidade de composição com o Novo na eleição presidencial por meio da indicação de Zema para o posto de vice de Flávio.
O movimento teria efeito direto nos rumos do PL em Minas, visto que o partido resiste a uma aliança com o governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato à reeleição, por causa do acordo dele para apoiar Zema. A prioridade dos liberais é garantir um palanque regional a Flávio.
Na terça-feira (12), a cúpula do PL encaminhou uma dobradinha com o Republicanos, agremiação do senador Cleitinho Azevedo. A ideia prioritária é que Cleitinho concorra a governador como o representante do grupo, mas ele ainda não bateu o martelo. O segundo cenário prevê o PL na cabeça de chapa, representado pelo presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, ou pelo ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli.
Áudio e contragolpe
A gravação de Flávio a Vorcaro foi divulgada nessa quarta (13), pelo Intercept Brasil. Segundo a reportagem, o áudio data de 16 de novembro do ano passado, um dia antes de o dono do Banco Master, liquidado extrajudicialmente, ser preso pela primeira vez.
O material indica que Vorcaro repassou R$ 61 milhões para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
Nesta quinta-feira, em resposta às críticas de Zema, aliados de Flávio Bolsonaro passaram a mencionar uma doação de R$ 1 milhão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, ao Partido Novo. O recurso foi encaminhado ao diretório nacional da sigla, no âmbito da eleição de 2022. Henrique foi preso mais cedo, sob suspeita de financiar e acionar o braço operacional da organização do filho, conhecido como “A Turma”.
Em nota a O Fator, Zema afirmou que os recursos não foram direcionados à campanha à reeleição ao governo de Minas.
“A doação para o partido foi em 2022, quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro. A PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024. A doação ao partido foi perfeitamente legal e transparente. Está registrada na Justiça Eleitoral. Não tenho o rabo preso. Sou o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis. Não vou recuar”, escreveu.