Equipe de Haddad diz que, com Propag, Minas poderá dobrar investimentos em educação e triplicar aportes em segurança

Projeção consta em documento de apresentação do plano, regulamentado nesta semana
Fernando Haddad, Romeu Zema e Mateus Simões
Conversas sobre o refinanciamento da dívida mineira começaram ainda em 2023. Foto: Agência Minas

O Ministério da Fazenda acredita que a adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) dará ao governo estadual a possibilidade de dobrar os investimentos em educação e triplicar os aportes feitos em ações de segurança pública. A projeção está relacionada ao gatilho que prevê a redução das taxas de juros que incidem sobre os débitos e o redirecionamento dos gastos anteriormente destinados à correção do saldo devedor para ações estruturantes.

O aumento nos gastos com educação e segurança em Minas é projetado em um material confeccionado pela Fazenda para ilustrar os desdobramentos do Propag. Segundo o documento, apresentado na segunda-feira (14), a ampliação do volume de investimentos leva em conta o montante aportado no ano passado, comparando-o com as cifras que poderão constar no orçamento de 2026 em um cenário de adesão ao novo programa.

A título de exemplo, Minas empenhou R$ 22 bilhões no ano passado para ações de manutenção e desenvolvimento de ensino. O valor, segundo o governo do estado, superou a aplicação mínima de 25% de toda a receita anual. O percentual é exigido pela Constituição Federal. A rubrica educacional contempla, ainda, R$ 11,5 bilhões destinados aos pagamentos a profissionais do magistério.

“Minas Gerais é um dos maiores devedores do país em relação à União. É um dos quatro (estados) com o maior nível de dívida. E vai ser muito beneficiada com o programa, tanto por fazer com que a dívida pare de crescer quanto para dar um benefício direto à população”, disse, no início da semana, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.

Os investimentos em educação e segurança compõem o rol de contrapartidas do Propag. Segundo o texto, os governos locais terão de aplicar entre 0,5% e 2% do valor das dívidas em ações ligadas à proteção e ao ensino público. A lista de possibilidades de aporte também tem áreas como infraestrutura e combate às mudanças climáticas.

Gatilhos podem chegar em boa hora

A possibilidade de utilizar parte da dívida bilionária com a União como gatilho para a ampliação de investimentos públicos foi anunciada três dias antes de o Executivo divulgar a intenção de editar um decreto de contingência fiscal. O orçamento será liberado a partir da confirmação das receitas suficientes para cobrir cada ação.

O texto, que será assinado pelo governador Romeu Zema (Novo), tem, segundo o Palácio Tiradentes, o objetivo de “impedir que as contas retornem ao estado de calamidade em que estavam em 2019”.

“A reorganização interna não acarretará qualquer prejuízo aos serviços prestados à população de Minas Gerais, incluindo os ofertados pelas áreas essenciais, como Forças de Segurança, Educação e Saúde. Cada pasta e órgão ficará responsável por realizar os direcionamentos estratégicos de seus esforços otimizando recursos, conforme já ocorrido em outros momento”, informou o Executivo nessa quinta-feira (17).

O cerne do Propag está na federalização de estatais e outros ativos locais. O repasse dos bens à União servirá para diminuir as dívidas e aliviar as taxas de juros. Os estados terão até 30 de outubro para apresentar ofertas de federalização e até 31 de dezembro para aderir ao novo plano de reparcelamento dos débitos.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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