Governo de Minas pede que STF valide decreto que instituiu teto de gastos

Enquanto Legislativo e Judiciários se queixam da nova norma, AGE tenta apoio do Supremo e cita acordo para voltar a pagar dívida
O governador de Minas, Romeu Zema
Governador Romeu Zema (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

A Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais (AGE) pediu, nesta sexta-feira (30), que o Supremo Tribunal Federal (STF) ratifique o decreto em que o governador Romeu Zema (Novo) cria um teto de gastos para o estado. O texto, publicado na quarta-feira (28), foi editado a reboque do acordo entre AGE e União pela entrada de Minas no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e, consequentemente, pela retomada das parcelas da dívida de R$ 165 bilhões contraída pelo Executivo estadual junto ao governo federal.

O pedido de ratificação enviado ao STF acontece após integrantes do Legislativo e do Judiciário de Minas se queixarem da criação do teto de gastos. Como já mostrou O Fator, a avaliação de lideranças dos dois Poderes é que o Executivo os “atropelou” ao limitar o crescimento das despesas primárias por meio de um decreto  — e não com a aprovação de um projeto de lei pela por parte dos deputados estaduais.

Segundo a AGE, a edição do decreto de teto de gastos “atende aos requisitos e às obrigações previstas” nas leis que tratam do Regime de Recuperação Fiscal e nos termos do acordo pela retomada das parcelas da dívida. 

O pedido de aval à norma foi endereçado ao gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, que nessa quinta-feira (29) homologou os termos do acordo que fará o estado reiniciar os depósitos das prestações da dívida em outubro.

“A edição do referido Decreto nº. 48.886/2024 atende aos requisitos e às obrigações previstas no âmbito das Leis Complementares nº.s 159 e 178, bem como aos termos da Composição celebrada, quanto ao cumprimento dos requisitos de entrada no Regime de Recuperação Fiscal do Estado de Minas Gerais, restando assegurado pelo Poder Executivo o respeito ao limite do teto de gastos[1]. Nesses termos e ratificando in totum o Acordo firmado, o Estado de Minas Gerais apresenta e requer o reconhecimento de validade e eficácia do anexo Decreto nº. 48.886, de 28/08/2024, bem como reitera o requerimento de homologação, por decisão judicial, da composição celebrada e consensualmente formulada nestes autos, nos estritos termos acordados e expostos na petição conjunta entre União e Estado de Minas Gerais”, lê-se na peça, assinada pelo chefe da AGE, Sérgio Pessoa.

Pressão por anulação

O teto de gastos terá o exercício de 2023 como base para o cálculo do limite para o crescimento das despesas públicas. Há, entretanto, exceções para o cumprimento da regra, como os repasses financeiros constitucionais feitos às prefeituras.

A Assembleia Legislativa já recebeu um projeto de resolução (PRE) para sustar os efeitos do decreto do teto de gastos. A ideia, encampada por deputados de oposição a Zema, ganhou a adesão de integrantes de outros Poderes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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