Governo federal concede anistia e indenização a Reinaldo, ídolo do Atlético, por perseguição da ditadura

Ex-jogador terá direito a uma reparação financeira de R$ 100 mil por períodos de perseguição entre 1978 e 1986
O ex-jogador Reinaldo Lima. Foto: Atlético/Acervo

A Comissão de Anistia do governo federal concedeu, nesta terça-feira (2), o perdão ao ex-jogador Reinaldo Lima, ídolo do Atlético, pela perseguição política sofrida durante a ditadura militar. O grupo, ligado ao Ministério dos Direitos Humanos, também aprovou um pedido de Reinaldo por indenização de R$ 100 mil. O valor é referente a nove períodos de perseguição entre março de 1978 e outubro de 1986.

A anistia a Reinaldo foi conferida após votação unânime entre os integrantes da comissão. Segundo a relatora, Rita Maria de Miranda Sipahi, a indenização será paga em parcela única.

Reinaldo chegou a ser monitorado pelo Sistema Nacional de Informações (SNI), ligado ao regime militar. Na representação encaminhada ao governo federal, ele também apontou perseguições no âmbito esportivo. O ex-atacante se notabilizou por comemorar gols com o punho cerrado, em gesto que fazia alusão aos Panteras Negras. Chamado de “Rei” pela torcida do Atlético, ele também deu declarações públicas a favor da retomada da democracia.

Presente à sessão da Comissão de Anistia, o ex-jogador lembrou de chances de crescimento profissional perdidas por causa dos posicionamentos políticos.

“A campanha de difamação e a perseguição política me tiraram muitas oportunidades. Talvez, o exemplo mais evidente seja a não convocação para a Copa de 1982, onde, apesar de o treinador falar em questões físicas, todo mundo sabia que o motivo eram as restrições a meu suposto comportamento fora de campo”, disse, emocionado.

Segundo Reinaldo, a campanha difamatória empregada por integrantes do governo militar e a vigilância do SNI geraram angústia e estresse.

“Perdi a confiança em muitas pessoas. Me senti isolado. Isso me afetou profundamente”, contou.

O advogado responsável por peticionar o pedido de Reinaldo junto à Comissão de Anistia foi Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República. 

Além da não convocação para a Copa de 1982, Reinaldo sofreu, quatro anos antes, uma punição que também foi atribuída por ele, anos mais tarde, à interferência dos militares. O jogador recebeu um cartão vermelho durante uma partida do Galo contra o Fast Club, do Amazonas, pelo Brasileirão de 1977 — que terminou de ser disputado em 1978.

A suspensão, contudo, não foi cumprida nos confrontos seguintes, mas na final, tempos depois, contra o São Paulo. Sem Reinaldo, o Atlético, mesmo invicto durante todo o certame, sucumbiu nos pênaltis.

“Meu simples gesto com o punho cerrado, nas comemorações, ou minhas declarações pedindo a volta da democracia, foram suficientes para acionar uma campanha gigantesca de difamação. O objetivo era claro: destruir minha reputação, me associando a coisas ruins, a comportamentos desviantes e a ideias perigosas”, lembrou o ex-goleador, durante a reunião desta terça.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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