Lei sobre imóveis que podem ser entregues à União para abater dívida tem local já vendido à Fiemg

Citado em texto sancionado, Expominas de Juiz de Fora foi negociado no mês passado; regra tem ‘brecha’ para algumas vendas
O Expominas de Juiz de Fora
Expominas de Juiz de Fora tem cerca de 120 mil metros quadrados. Foto: Codemge/Divulgação

Sancionada no sábado (16), a lei que autoriza o repasse de uma série de imóveis do governo de Minas Gerais à União como forma de abater a dívida estadual junto ao governo federal lista, entre os bens passíveis de transferência, o Expominas de Juiz de Fora, na Zona da Mata. O empreendimento, porém, foi vendido no final de março à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

A entidade arrematou o Expominas de Juiz de Fora por R$ 39,6 milhões. O espaço de eventos, de propriedade da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), possui cerca de 120 mil metros quadrados.

A lei sobre a federalização de imóveis também autoriza a venda, à iniciativa privada, de edificações sem interesse da União. A O Fator, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) afirmou que este é o caso do Expominas de Juiz de Fora. Segundo a pasta, o local não consta na oferta formal encaminhada ao governo federal no âmbito do Propag. Conforme apurou a reportagem, o nome do empreendimento constou na listagem aprovada na semana passada pela Assembleia Legislativa (ALMG) pois não houve pedido do Executivo para a retirada.

“Dessa forma, a transação não gera quaisquer impactos ou conflitos na adesão de Minas ao Propag e na oferta realizada ao Governo Federal para abatimento de parte da dívida”, pontuou a pasta.

Embora a venda já tenha ocorrido, a lei sobre os imóveis diz que, para aportar, no refinanciamento da dívida, verbas oriundas da alienação de localidades em que não houve o interesse da União, é preciso seguir um trâmite específico. O rito envolve a confecção de um laudo de avaliação e a realização de licitação na modalidade de leilão.

Conforme a legislação, em casos onde há leilão à iniciativa privada por ausência de interesse da União, o governo poderá oferecer descontos progressivos no preço a partir do segundo certame. O teto da redução, contudo, é de 25% do valor de avaliação da edificação.

Compra direta

A licitação para a venda do Expominas da Zona da Mata foi aberta em outubro do ano passado. O edital terminou em deserto, abrindo espaço para a compra direta por parte da Fiemg. 

A federação informou ter cumprido “todos os requisitos” do edital.

“Com relação à destinação do recurso, não foi informado a esta entidade se seria destinado ao pagamento de dívidas com a União Federal. No entanto, a entidade informa que a lei em questão autoriza a alienação de imóveis mediante leilão ou compra direta quando for aplicável”, ressaltou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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