MPMG aciona prefeito de Juatuba por contrato de mais de R$ 21 milhões sem licitação com escritório de advocacia

Promotoria afirma que estimativas utilizadas para justificar a contratação partiram do próprio escritório beneficiado
Prefeito, secretário e escritório viram réus em ação sobre contrato sem licitação. Foto: Redes Sociais / Divulgação

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou uma ação contra o prefeito de Juatuba, Ted Saliba (PSD), um secretário municipal e um escritório de advocacia sob a acusação de contratação irregular, sem licitação, de serviços jurídicos por mais de R$ 21 milhões.

A ação, ajuizada no final de abril, questiona a legalidade do contrato firmado pelo município com o escritório de advocacia Leonardo Militão Advogados Associados. Segundo o Ministério Público, a contratação foi baseada na justificativa de que os serviços teriam natureza singular e exigiriam notória especialização, hipótese que dispensaria o processo licitatório.

Na avaliação da Promotoria, no entanto, os serviços contratados, relacionados à recuperação de royalties, créditos previdenciários e valores de Imposto de Renda, são comuns no mercado jurídico e poderiam ser executados por diversos profissionais ou bancas especializadas, o que afastaria a possibilidade de contratação direta.

Outro ponto destacado na ação é o intervalo entre a proposta e a formalização do contrato. De acordo com o inquérito civil, a proposta comercial foi apresentada em 14 de maio de 2025 e o contrato assinado em 3 de julho do mesmo ano, em prazo inferior a dois meses.

O Ministério Público também aponta que o município possui Procuradoria-Geral estruturada, com atribuições para representação judicial e consultoria jurídica, o que, segundo a ação, tornaria injustificada a terceirização de serviços que não extrapolam a rotina administrativa.

A Promotoria sustenta ainda que há desproporção entre o valor contratado e a realidade financeira do município. Dados reunidos no inquérito indicam que os títulos levados a protesto pela Prefeitura entre setembro de 2022 e agosto de 2025 somaram cerca de R$ 2,4 milhões, montante considerado inferior aos R$ 108 milhões estimados como base para o contrato.

Segundo a ação, essa estimativa de recuperação de receitas foi utilizada para definir a remuneração do escritório em 20% sobre os valores obtidos, resultando no valor total de R$ 21,64 milhões. O Ministério Público afirma que não foram apresentados estudos independentes pela administração municipal para validar esses números, e que tanto o estudo técnico preliminar quanto o termo de referência reproduziram dados fornecidos pelo próprio escritório contratado.

Para a Promotoria, o modelo adotado transfere ao município o risco financeiro da operação, já que não estabelece limite para os honorários e pode comprometer receitas futuras.

Como parte da argumentação, o Ministério Público também menciona dificuldades enfrentadas pelo município em áreas como saúde e educação, incluindo déficit de vagas em creches e problemas estruturais na rede pública de saúde.

Além do prefeito e do escritório de advocacia, o secretário municipal de Administração e Planejamento, Isnar Pedrozo de Andrade, também é um dos réus.

Na ação, o MPMG pede o reconhecimento dos atos de improbidade administrativa, a aplicação das sanções previstas em lei e a responsabilização dos envolvidos por eventuais prejuízos aos cofres públicos. O valor atribuído à causa é de R$ 21,64 milhões.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

Leia também:

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Prefeitura de Contagem estuda internação compulsória de pessoas em situação de rua

Com ou sem Cleitinho, Republicanos quer Falcão como candidato a vice

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse