Mudança de postura de Mateus Simões ao aceitar homenagem chama atenção de interlocutores políticos em Minas

Vice-governador foi agraciado com a Medalha de Honra Ivan José Lopes, entregue pela Câmara Municipal da cidade do Norte mineiro
A presença de Simões na solenidade provocou comentários entre atores do meio político local. Foto: Cristiano Machado

Interlocutores da política estadual consideraram curiosa a decisão do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), ao aceitar uma homenagem oficial nesta quinta-feira (3), durante evento realizado em Montes Claros, no Norte.

A presença de Simões na solenidade provocou comentários entre atores do meio político local, sobretudo pelo histórico de posicionamentos públicos do vice-governador sobre homenagens a autoridades. Durante seus anos como vereador em Belo Horizonte, Simões manifestou de forma reiterada oposição à concessão de medalhas, títulos e outras honrarias pagas com recursos públicos.

Simões foi agraciado com a Medalha de Honra Ivan José Lopes, entregue pela Câmara Municipal da cidade, em cerimônia que contou com discurso elogioso do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite (MDB), cuja terra natal é Montes Claros.

Em março de 2019, ainda na Câmara Municipal de Belo Horizonte, Mateus Simões apresentou um projeto de resolução que propunha revogar todas as homenagens oficiais custeadas pelos cofres públicos, como medalhas, troféus, diplomas de honra ao mérito e colares. À época, Simões defendia que, embora reconhecesse o valor simbólico das honrarias, era contrário ao uso de dinheiro público para a realização de festas, buffets, certificados, convites, confecção de troféus e medalhas. Segundo ele, esses recursos deveriam ser investidos em áreas essenciais como saúde e educação.

O vice-governador também argumentava que homenagens poderiam continuar a ocorrer, desde que pagas com recursos dos próprios vereadores, e não com verba pública.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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