O alerta do governo Lula que fez deputados de MG apressarem a tramitação do teto de gastos do Propag

Texto que limita crescimento das despesas de estados com dívidas ante a União se tornou uma das prioridades da Assembleia
Deputados da Comissão de Administração Pública da Assembleia
Comissão de Administração Pública aprovou teto de gastos nesta semana. Foto: Ramon Bittencourt/ALMG

Embora a lei do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag) dê um ano para que os aderentes ao plano se adequem a um teto de gastos, deputados estaduais de Minas Gerais apressaram a análise de um projeto de lei complementar (PLC) que impõe condições para o crescimento das despesas públicas. O Fator apurou que a decisão de agilizar a tramitação do texto foi tomada a partir de uma espécie de alerta da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Apesar de Minas Gerais ter formalizado o pedido de adesão ao programa de refinanciamento da dívida com a União, o comunicado destaca que as equipes do Tesouro Nacional não localizaram, entre os documentos encaminhados, a lei estadual que autoriza o Executivo a estabelecer o teto de gastos. 

No entendimento da STN, o acordo de refinanciamento só pode ser assinado mediante o encaminhamento de documento que comprove a intenção formal do estado de seguir o teto.

O tema dividiu opiniões. Alguns interlocutores a par do assunto defendem que é possível analisar o projeto do teto de gastos com mais calma. Outros, porém, apontam a necessidade de seguir a recomendação implícita da STN. Entre as vozes favoráveis a uma aprovação rápida do PLC, está o presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB).

Desde agosto do ano passado, Minas segue o teto de gastos do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que limita o crescimento das despesas à variação da inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O teto do Propag é norteado pela mesma regra, mas contém gatilhos que permitem a ampliação dos gastos. Por isso, é considerado mais flexível.

Se houver superávit, o estado poderá utilizar 70% da variação positiva da receita para ampliar as despesas. Em caso de resultado primário nulo ou negativo, será possível utilizar 50% da variação positiva dos ganhos. Os limites de gastos dos Poderes são individualizados.

Desembolsos com saúde e educação, bem como pagamentos custeados com indenizações judiciais ficam fora do teto. Transferências a prefeituras consideradas como despesa orçamentária também são livres da restrição.

A jato

O PLC tramita em 1° turno na Assembleia. Em uma semana, o texto passou, sem óbices, pelas comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Administração Pública (APU). 

Falta, agora, o aval da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO). Quando isso acontecer, o tema estará pronto para a primeira votação em plenário. Depois, haverá o 2° turno.

Ano-base ainda é dúvida

Como O Fator já mostrou, apesar do gás na tramitação do projeto sobre o teto, a equipe econômica do governador Romeu Zema (Novo) ainda tem uma dúvida quanto ao assunto: o ano que vai guiar o valor-base do limite de crescimento de despesas.

A regulamentação do Propag aponta que o teto de gastos precisa ter o volume de despesas registrado em um ano entre 2021 e 2024 como uma espécie de diretriz do tamanho do possível aumento dos gastos daqui em diante.

A definição do exercício-base, contudo, só será feita após a conclusão de estudos conduzidos pela Secretaria de Estado de Fazenda. Não há data prevista para o término desse processo.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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