A concessionária do metrô de Belo Horizonte não atualiza há alguns meses parte dos relatórios de transparência previstos contratualmente. Levantamento realizado por O Fator no portal da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra), responsável por monitorar a concessão, identificou dados desatualizados em documentos relacionados à demanda de passageiros, receitas da concessão, auditorias operacionais e conservação da rede.
Em determinados tópicos, as informações mais recentes remontam a 2024. É o caso do relatório sobre o estado de conservação da rede metroferroviária. Embora seja anual, o documento ainda não teve a versão do exercício passado disponibilizada.
Outros relatórios foram atualizados pela última vez no primeiro trimestre de 2025, como os que detalham déficits e superávits tarifários. A versão mais recente do informe de receitas extraordinárias da concessionária, batizada de Metrô BH, também é do começo do ano passado.
Esses documentos permitem acompanhar a arrecadação do sistema, indicando se os ganhos com a venda de passagens ficaram acima ou abaixo das projeções consideradas na modelagem da concessão. Os papéis também registram faturamento oriundo de outras fontes, como publicidade, exploração comercial de espaços e receitas acessórias.
Também estão defasados os dados que monitoram a evolução do volume de passageiros transportados, cujas estatísticas mais novas são do segundo trimestre de 2025. Em tese, esses números servem para identificar alterações relevantes na procura pelo sistema e avaliar possíveis reflexos sobre a operação, bem como eventual revisão financeira da concessão.
Já a auditoria do sistema de bilhetagem tem como última publicação o quarto trimestre de 2025. O relatório é utilizado para verificar a consistência das informações geradas pelos sistemas de cobrança e de validação de passagens, servindo de referência para consolidar números referentes à arrecadação e ao fluxo de usuários.
Os relatórios de atendimento aos parâmetros de desempenho foram atualizados pela última vez em fevereiro de 2026. Esses documentos reúnem indicadores relacionados à operação do sistema, incluindo aspectos como regularidade das viagens, disponibilidade da infraestrutura e cumprimento de metas estabelecidas contratualmente.
Secretaria alega reorganização do portal
Questionada pela reportagem, a Seinfra informou que o portal passa por um processo contínuo de atualização e aprimoramento.
Segundo a pasta, está prevista a implementação de uma nova versão da página dedicada à concessão do metrô, com mudanças voltadas à organização das informações e à experiência de navegação dos usuários.
De acordo com a secretaria, conteúdos e publicações estão sendo avaliados e reorganizados para garantir maior clareza, padronização e facilidade de consulta. A pasta afirmou ainda que acompanha regularmente as obrigações contratuais relacionadas ao fornecimento de informações e à transparência da concessão, observando as periodicidades e procedimentos aplicáveis a cada tipo de documento.
A resposta não detalha, entretanto, se os relatórios identificados pela reportagem já foram encaminhados pela concessionária ao poder concedente nem informa prazo para eventual atualização das informações disponíveis na plataforma.
A Metrô BH também foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento deste texto.
Cobrança do Tribunal de Contas
A disponibilização de informações relacionadas à concessão do metrô já foi objeto de análise do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
Em processo de acompanhamento concluído em 2025, a Corte determinou que a Seinfra adotasse medidas voltadas ao aprimoramento da divulgação de informações sobre o contrato de concessão do sistema metroferroviário da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Na ocasião, a área técnica do tribunal apontou pontos relacionados à transparência, incluindo aspectos ligados à divulgação de dados sobre demanda, arrecadação e integração tarifária. O entendimento dos auditores foi de que parte das medidas adotadas pelo Executivo estadual havia solucionado apenas parcialmente questões identificadas anteriormente.
O processo acabou arquivado, mas o tribunal manteve o acompanhamento de ações relacionadas à integração tarifária entre o metrô e os sistemas municipais e metropolitanos de transporte coletivo.