O caminho do contrato do Grande Hotel de Araxá, da Codemge e do Grupo Tauá, em meio a debates sobre federalização

Famoso empreendimento está cedido à iniciativa privada por empresa que pode ser repassada à União para abater dívida de MG
O Grande Hotel de Araxá
Grande Hotel é um dos cartões-postais de Araxá. Foto: Grande Hotel de Araxá/Divulgação

A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) informou a O Fator, nesta segunda-feira (7), que sua eventual federalização não provocará impacto imediato na gestão do Grande Hotel de Araxá, pertencente à empresa e cedido ao Grupo Tauá até janeiro de 2029. Segundo a Codemge, a concessão do icônico prédio no Alto Paranaíba seguirá vigente até o término do contrato.

A Codemge é a controladora da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). O repasse das duas empresas à União é uma das hipóteses previstas nas tratativas entre o estado e o governo federal no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O Palácio Tiradentes, inclusive, aguarda manifestação do Palácio do Planalto quanto a um eventual interesse nas companhias.

O carro-chefe de uma eventual federalização das duas empresas é o nióbio de Araxá. As jazidas do mineral são exploradas pela Codemig em parceria com a CBMM, mineradora de propriedade da família Moreira Salles.

O Grande Hotel, por sua vez, é gerido em parceria por Codemge e Tauá desde 2010. O complexo, famoso pelas águas termais, tem 33.300 metros quadrados e 283 espaços de hospedagem.

As termas de Araxá foram inauguradas em 1942. Dois anos depois, o hotel ficou pronto. O espaço, que já teve um grande cassino e sediou parte da preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de Futebol de 1950, chegou a fechar as portas entre 1994 e 2001. O Grande Hotel se tornou, inclusive, tema de samba de enredo nas vozes de Neguinho da Beija-Flor e do pagodeiro Belo.

Procurado pela reportagem, o Grupo Tauá afirmou que não comenta o caso.

Valor ainda é ponto de interrogação

A possível federalização dos ativos de Codemig e Codemge no âmbito do Propag está alicerçada que permite, aos estados devedores, a entrega, à União, de um rol de bens que corresponda a 20% dos passivos. 

A data-limite para a adesão ao Propag é 31 de dezembro. Uma projeção da equipe econômica do governador Romeu Zema (Novo) mostra que Minas pode terminar o ano devendo R$ 177,5 bilhões à União. Portanto, se os trâmites para a adesão ao Propag só terminarem no último dia de 2025, seria preciso reunir R$ 35,5 bilhões em ativos para obter o desconto de 20%.

O valor a ser abatido por meio de Codemge e Codemig ainda é incógnita. A avaliação oficial das companhias ficará a cargo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas a direção da Codemig — que também comanda a Codemge — contratou a norte-americana Goldman Sachs para produzir um laudo de mercado próprio.

Um estudo da própria Codemig chegou a afirmar que os dividendos pertencentes à estatal na exploração das jazidas de nióbio de Araxá poderiam chegar a R$ 59 bilhões. O material estava disponível no site da Secretaria de Estado de Fazenda, mas acabou retirado do ar.

A atuação da União nas jazidas de nióbio, entretanto, não depende apenas da aprovação dos dois movimentos de federalização. É preciso, também, a transferência do direito de lavra. Para isso, a Assembleia Legislativa (ALMG) analisa uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema.

Atualmente, a Constituição Mineira estabelece que, em caso de extinção ou transferência do controle acionário da Codemig, a prerrogativa de minerar em Araxá precisa ser entregue a outra estatal mineira. 

Se a obrigação legal for eliminada, a União, em caso de federalização da estatal, poderá atuar na exploração das jazidas araxaenses.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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