O que diz auditoria da CGU sobre presídio mineiro concluído há um ano, mas ainda inativo

Inauguração prevista inicialmente para junho de 2025 foi adiada para outubro, mas governo já não assegura a nova data
Presídio de R$ 31 milhões em Itaúna acumula atrasos e segue sem receber detentos. Foto: MPMG / Divulgação

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que a Cadeia Pública Masculina de Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais, continua sem receber presos mesmo tendo a estrutura física pronta desde o ano passado. A unidade, que custou R$ 31,1 milhões, acumula adiamentos e ainda não possui uma data assegurada para entrar em funcionamento.

Inicialmente previsto para ser inaugurado em junho de 2025, o presídio teve a abertura adiada para outubro deste ano. O novo prazo, porém, está ameaçado. Procurado por O Fator para comentar as considerações da CGU, o governo estadual informou que intervenções sanitárias necessárias ao funcionamento do local podem se estender até o fim de 2026.

A Controladoria analisou o caso da Cadeia de Itaúna no âmbito de uma auditoria que analisou a aplicação de R$ 89,6 milhões repassados pelo Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) a Minas Gerais entre 2017 e 2025. O relatório, concluído em junho e divulgado no dia 8 deste mês, também identificou baixa execução financeira, falhas na compra de coletes balísticos e pouca participação dos dirigentes de presídios na definição das prioridades de gastos.

As pendências

A penitenciária itaunense foi concluída em 16 de março do ano passado, segundo os documentos examinados pela CGU. O termo de recebimento definitivo foi assinado em 3 de setembro daquele ano.

Quando os auditores visitaram o imóvel, em 10 de abril deste ano, encontraram as obras civis concluídas e parte do mobiliário instalado, mas nenhum preso.

À CGU, o governo estadual atribuiu a demora principalmente à falta de uma solução para o escoamento dos efluentes tratados e à necessidade de contratar servidores. Também estavam pendentes a compra complementar de móveis, equipamentos e o chamamento de prestadores de serviços.

Em resposta ao O Fator, a Sejusp informou que as intervenções sanitárias estão sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra). A pasta não informou quantos servidores serão necessários para colocar a unidade em funcionamento. Alegou razões de segurança e afirmou apenas que o presídio terá efetivo suficiente.

No relatório da CGU, o estado informou que o concurso aberto para 1.178 policiais penais tinha homologação prevista para dezembro deste ano, sem data definida para a posse dos aprovados.

Para a Controladoria, embora as obras civis estivessem concluídas, o empreendimento ainda não havia atingido seu objetivo. O órgão cobrou a finalização das etapas pendentes para que as novas vagas fossem efetivamente incorporadas ao sistema.

R$ 42,3 milhões ainda aguardam aplicação

O caso de Itaúna é apenas uma parte da auditoria sobre a utilização de R$ 89,6 milhões repassados pelo Funpen a Minas Gerais entre 2017 e 2025.

“Constatou-se que, no estado de Minas Gerais, o planejamento da aplicação dos recursos do Funpen é realizado de forma centralizada, não considerando as necessidades de todas as unidades prisionais”, registraram os auditores.

A O Fator, Sejusp atualizou os números e indicou que R$ 42,34 milhões estão, neste momento, disponíveis para aplicação, entre saldos remanescentes e suplementações. O dinheiro ainda passa por regularização orçamentária para que a execução seja iniciada.

Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), no entanto, indicam que Minas havia recebido R$ 67,3 milhões entre 2017 e 2024 e executado R$ 58,9 milhões. De acordo com o governo mineiro, a nova versão do plano de aplicação de recursos foi aprovada pela Senappen apenas no mês passado e, por isso, não integrou o rol de páginas examinadas pela CGU.

Os novos planos foram elaborados depois de uma mudança nas regras federais. Uma portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública permitiu que determinados saldos antes vinculados a obras fossem direcionados a outras despesas de capital destinadas à modernização do sistema prisional.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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