O presidente nacional do PT, Edinho Silva, se reunirá nesta quarta-feira (3) com Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB ao governo de Minas Gerais. O encontro, que acontecerá em Brasília (DF), também terá a participação do presidente do diretório federal emedebista, Baleia Rossi. O Fator apurou que a intenção do dirigente petista é entender as posições de Gabriel sobre temas considerados importantes para o campo lulista e saber até que ponto há espaço para uma construção comum.
A agenda ocorre em meio às dúvidas do PT sobre que caminho seguir sem o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que na semana passada confirmou estar fora da disputa pelo Executivo estadual. No sábado (30), o partido aprovou resolução defendendo “abrir imediatamente” tratativas por uma candidatura própria. No dia seguinte, Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado Federal, voltou a sugerir a Edinho o diálogo com Gabriel.
Apesar da simpatia de Marília, setores mais ideológicos do PT ainda observam movimentação do ex-vereador com cautela.
A insatisfação desse grupo ganhou força após Gabriel publicar uma foto ao lado do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) nessa terça-feira (2). A imagem circulou entre dirigentes petistas justamente antes do encontro com Edinho e foi interpretada por alguns integrantes da legenda como mais um exemplo da estratégia do vereador de manter interlocução simultânea com diferentes campos políticos.
Ainda ontem, o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, confirmou a O Fator que se reuniria com Gabriel. Embora a predileção da agremiação seja por uma chapa encabeçada por Cleitinho, o senador ainda não bateu o martelo sobre o assunto. Por isso, os correligionários mapeiam o cenário externo.
Termômetro
O incômodo dos petistas não está na conversa com Edinho. Integrantes do partido defendem que a legenda dialogue com diversos atores. A preocupação é outra: a avaliação de que Gabriel busca ocupar espaços em vários espectros políticos ao mesmo tempo, sem demonstrar de forma clara qual projeto pretende representar.
Nos bastidores, petistas afirmam que a reunião deve servir para medir o grau de convergência política entre as partes. A expectativa é que o cacique avalie até que ponto existe disposição para uma construção comum.
A ala mais ideológica do PT costuma defender que alianças eleitorais sejam acompanhadas de afinidade programática. Por isso, dirigentes desse grupo ponderam que eventuais parceiros precisam oferecer mais do que competitividade eleitoral. A cobrança recorrente é por posicionamentos mais claros e compromissos políticos mais definidos.
A comparação com Pacheco aparece com frequência nas discussões internas. Embora nunca tenha sido considerado um quadro ideológico do PT, interlocutores lembram que suas agendas frequentes ao lado de Lula e o apoio a pautas relevantes para o governo permitiam identificar um alinhamento político naquele contexto.
PSB na equação
Na semana passada, antes mesmo de Pacheco oficializar a saída do páreo, Edinho falou que iria conversar com o empresário Josué Gomes, filiado ao PSB. Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ele é citado por correligionários do senador como uma alternativa para uma candidatura própria da legenda.
Gabriel, por sua vez, mantém diálogo com os pessebistas. Nesta quarta-feira (3), o pré-candidato passou a manhã em Brasília em reuniões com Carlos Siqueira, ex-presidente nacional do PSB.